Pais brilhantes, professores fascinantes

Augusto Cury


CURY, Augusto Jorge. Pais brilhantes, professores fascinantes. 10.ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.


Prefcio


Este livro falar ao corao dos pais e professores. Eles lutam pelo mesmo sonho - o de tornar seus filhos e alunos felizes, saudveis e sbios -, mas jamais estiveram
to perdidos na rdua tarefa de educar. Ambos sulcam e cultivam os territrios mais difceis de serem trabalhados, os da inteligncia e da emoo;

No escrevo para heris, mas para pessoas que sabem que educar  realizar a mais bela e complexa arte da inteligncia. Educar  acreditar na vida, mesmo que derramemos 
lgrimas. Educar  ter esperana no futuro, mesmo que os jovens nos decepcionem no presente. Educar  semear com sabedoria e colher com pacincia. Educar  ser um 
garimpeiro que procura os tesouros do corao.

A quem interessa este livro? Aos pais, aos professores da pr-escola, do ensino fundamental, mdio e universitrio, aos psiclogos, aos profissionais de recursos 
humanos, os jovens e a todos os que desejam conhecer alguns segredos da personalidade e almejam enriquecer suas relaes sociais.

No comentarei regras, pois, no calor dos problemas do cotidiano, elas se evaporam. Discutirei ferramentas psicolgicas que podero promover a formao de pensadores, 
educar a emoo, expandir os horizontes da inteligncia e produzir qualidade de vida.
Compartilharei minha experincia como psiquiatra, educador e cientista da psicologia. Apesar das minhas limitaes, muitas pessoas tm se encantado com as idias 
que venho apresentando em congressos nacionais e internacionais.

Chegou a hora de publicar um livro especfico sobre educao, pois tenho recebido o incentivo de milhares de psiclogos, educadores, mdicos e pais para public-lo. 
Gostaria de destacar algum para representar as pessoas que gentilmente me incentivam. Ele  considerado dos mais conceituados professores de comunicao e oratria 
do pas: Alkindar de Oliveira. Sua mensagem me comoveu. Ele me disse que acordou de madrugada, perdeu o sono e comeou a ler minhas idias sobre educao.

A leitura o surpreendeu. Por isso, ao amanhecer, ele me escreveu, dizendo: "Aqui est a soluo da educao no mundo. Se voc s divulgar essas tcnicas e no fizer 
mais que voc as publique num livro acessvel, para que elas cheguem s mos de cada escola, de cada professor, de cada me, de cada pai."
Agradeo estes elogios, mas no os mereo. Entretanto, creio sinceramente que os hbitos dos educadores e as tcnicas pedaggicas que comentarei podero revolucionar 
a educao entre pais e filhos, professores e alunos! A famlia poder se tornar um jardim de flores, e a sala de aula, um lugar aprazvel.


Para onde caminha a juventude

H um mundo a ser descoberto dentro de cada criana e de cada jovem. S no consegue descobri-lo quem est encarcerado do seu prprio mundo.

Nossa gerao quis dar o melhor para as crianas e os jovens. Sonhamos grandes sonhos para eles. Procuramos dar os melhores brinquedos, roupas, passeios e escolas. 
No queramos que eles andassem na chuva, se machucassem nas ruas, se ferissem com os brinquedos caseiros e vivessem as dificuldades pelas quais passamos.

Colocamos uma televiso na sala. Alguns pais, com mais recursos, colocaram uma televiso e um computador no quarto de cada filho. Outros encheram seus filhos de 
atividades, matriculando-os em cursos de ingls, computao, msica.

Tiveram uma excelente inteno, s no sabiam que as crianas precisavam ter infncia, que necessitavam inventar, correr riscos, frustrar-se, ter tempo para brincar 
e se encantar com a vida. No imaginavam o quanto a criatividade, a  felicidade, a ousadia e a segurana do adulto dependiam das matrizes da memria e da energia 
emocional da criana. No compreenderam que a TV, os brinquedos manufaturados, a Internet e o excesso de atividades obstruram a infncia dos seus filhos.

Criamos um mundo artificial para as crianas e pagamos um preo carssimo. Produzimos srias conseqncias no territrio da emoo, no anfiteatro dos pensamentos 
e no solo da memria deles. Vejamos algumas conseqncias.


Obstruindo a inteligncia das crianas e adolescentes.


Espervamos que no sculo XXI os jovens fossem solidrios, empreendedores e amassem a arte de pensar. Mas muitos vivem alienados, no pensam no futuro, no tm garra 
e projetos de vida.

Imaginvamos que, pelo fato de aprendermos lnguas na escola e vivermos espremidos nos elevadores, no local de trabalho e nos clubes, a solido seria resolvida. 
Mas as pessoas no aprenderam a falar de si mesmas, tm medo de se expor, vivem represadas em seu prprio mundo. Pais e filhos vivem ilhados, raramente choram juntos 
e comentam sobre seus sonhos, mgoas, alegrias, frustraes.

Na escola, a situao  pior. Professores e alunos vivem juntos durante anos dentro da sala de aula, mas so estranhos uns para os outros. Eles se escondem atrs 
dos livros, das apostilas, dos computadores. A culpa  dos ilustres professores? No! A culpa, como veremos,  do sistema educacional doentio que se arrasta por 
sculos.

As crianas e os jovens aprendem a lidar com fatos lgicos, mas no sabem lidar com fracassos e falhas. Aprendem a resolver problemas matemticos, mas no sabem 
resolver seus conflitos existenciais. So treinados para fazer clculos e acert-los, mas a vida  cheia de contradies, as questes emocionais no podem ser calculadas, 
nem tm conta exata.
Os jovens so preparados para lidar com decepes? No! Eles so treinados apenas para o sucesso. Viver sem problemas  impossvel. O sofrimento para construir a 
sabedoria. Mas quem se importa com a sabedoria na era da informtica?

Nossa gerao produziu informaes que nenhuma outra jamais produziu, mas no sabemos o que fazer com elas. Raramente usamos essas informaes para expandir nossa 
qualidade de vida. Voc faz coisas fora da sua agenda que lhe do prazer? Voc procura administrar seus pensamentos para ter uma mente mais tranqila? Ns nos tornamos 
mquinas de trabalhar e estamos transformando nossas crianas em mquinas de aprender.


Usando erradamente os papis da memria


Fizemos da memria de nossas crianas um banco de dados. A memria tem esta funo? No! Veremos que durante sculos a memria foi usada de maneira errada pela escola. 
Existe lembrana? Inmeros professores e psiclogos do mundo todo crem sem sombra de dvida que existe lembrana. Errado! No existe lembrana pura do passado, 
o passado  sempre reconstrudo!  bom ficarmos abalados por esta afirmao. O passado  sempre reconstrudo com micro ou macrodiferenas no presente.

Veremos que h diversos conceitos equivocados na cincia sobre o fantstico mundo do funcionamento da mente e da memria humana. Tenho convico, como psiquiatra 
e como autor de uma das poucas teorias da atualidade sobre o processo de construo do pensamento, de que estamos obstruindo a inteligncia das crianas e o prazer 
de viver com o excesso de informaes que estamos oferecendo a elas. Nossa memria virou um depsito de informaes inteis.

A maioria das informaes que aprendemos no ser organizada na memria e utilizada nas atividades intelectuais. Imagine um pedreiro que a vida toda acumulou pedras 
para construir uma casa. Aps constru-la, ele no sabe o que fazer com as pilhas de pedras que sobraram. Gastou a maior parte do seu tempo inutilmente.

O conhecimento se multiplicou e o nmero de escolas se expandiu como em nenhuma outra poca, mas no estamos produzindo pensadores. A maioria dos jovens, incluindo 
universitrios, acumula pilhas de "pedras", mas constroem pouqussimas idias brilhantes. No   toa que eles perderam o prazer de aprender. A escola deixou de 
ser uma aventura agradvel.

Paralelamente a isso, a mdia os seduziu com estmulos rpidos e prontos. Eles tornaram-se amantes do fast food emocional. A TV transporta os jovens, sem que eles 
faam esforos, para dentro de uma excitante partida esportiva, para o interior de uma aeronave, para o cerne de uma guerra e para dentro de um dramtico conflito 
policial.
Esse bombardeio de estmulos no  inofensivo. Atua num fenmeno inconsciente da minha rea de pesquisam chamado de psicoadaptao, aumentando o limiar do prazer 
na vida real. Com o tempo, crianas e adolescentes perdem o prazer nos pequenos estmulos da rotina diria.

Eles precisam fazer muitas coisas para ter um pouco de prazer, o que gera personalidades flutuantes, instveis, insatisfeitas. Temos uma indstria de lazer complexa. 
Deveramos ter a gerao de jovens mais felizes que j pisaram nesta terra. Mas produzimos uma gerao de insatisfeitos.


Estamos informando e no formando


No estamos educando a emoo nem estimulando o desenvolvimento das funes mais importantes da inteligncia, tais como contemplar o belo, pensar antes de reagir, 
expor e no impor idias, gerenciar os pensamentos, ter esprito empreendedor. Estamos informando os jovens, e no formando a sua personalidade.

Os jovens conhecem cada vez mais o mundo em que esto, mas quase nada sobre o mundo que so. No mximo, conhecem a sala de visitas da sua prpria personalidade. 
Quer pior solido do que esta? O ser humano  um estranho para si mesmo! A educao tornou-se seca, fria e sem tempero emocional. Os jovens raramente sabem pedir 
perdo, reconhecer seus limites, se colocar no lugar dos outros. Qual  o resultado?

Nunca o conhecimento mdico e psiquitrico foi ta grande,  nunca as pessoas tiveram tantos transtornos emocionais e tantas doenas psicossomticas. A depresso raramente 
atingia as crianas. Hoje h muitas crianas deprimidas e sem encanto pela vida. Pr-adolescentes e adolescentes esto desenvolvendo obsesso, sndrome do pnico, 
fobias, timidez, agressividade e outros transtornos ansiosos.

Milhes de jovens esto se drogando. No compreendem que as drogas podem queimar etapas da vida, lev-los a envelhecer rapidamente na emoo. Os prazeres momentneos 
das drogas destroem a galinha dos ovos de ouro da emoo. Conheci e tratei de inmeros jovens usurios de drogas, mas no encontrei ningum feliz.

E o estresse? No apenas  comum detectarmos adultos estressados, mas tambm jovens e crianas. Eles tm freqentemente dor de cabea, gastrite, dores musculares, 
suor excessivo, fadiga constante de fundo emocional.

Precisamos arquivar esta frase e jamais esquec-la: Quanto pior for a qualidade da educao, mais importante ser o papel da psiquiatria neste sculo. Vamos assistir 
passivamente  indstria dos antidepressivos e tranqilizantes se tornar uma das mais poderosas do sculo XXI? Vamos observar passivamente nossos filhos serem vtimas 
do sistema social que criamos? O que fazer diante desta problemtica?


Procurando pais brilhantes e professores fascinantes


Devemos procurar solues que ataquem diretamente o problema. Precisamos conhecer algo sobre o funcionamento da mente e mudar alguns pilares da educao. As teorias 
no funcionam mais. Bons professores esto estressados e gerando alunos despreparados para a vida. Bons pais esto confusos e gerando filhos com conflitos. Existe, 
no entanto, uma grande esperana, mas no h solues mgicas.

Atualmente, no basta ser bom, pois a crise da educao impe que procuremos a excelncia. Os pais precisam adquirir hbitos dos pais brilhantes para revolucionar 
a educao. Os professores precisam incorporar hbitos dos educadores fascinantes para atuar com eficincia no pequeno e infinito mundo da personalidade dos seus 
alunos.
Cada hbito praticado pelos educadores poder contribuir para desenvolver caractersticas fundamentais da personalidade dos jovens. So mais de cinqenta estas caractersticas. 
Entretanto, raramente um jovem tem cinco delas bem desenvolvidas.

Precisamos ser educadores muito acima da mdia se quisermos formar seres humanos inteligentes e felizes, capazes de sobreviver nessa sociedade estressante. A boa 
notcia  que pais ricos ou pobres, professores de escolas ricas ou carentes podem igualmente praticar hbitos e tcnicas propostos aqui.

Um excelente educador no  um ser humano perfeito, mas algum que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender.




Parte I
Sete hbitos dos bons pais e dos pais brilhantes


Os filhos no precisam de pais gigantes, mas  de serem humanos que falem a sua linguagem e sejam capazes de penetrar-lhes o corao.


1- Bons pais do presentes, pais brilhantes do seu prprio ser

Este hbito dos pais brilhantes contribui para desenvolver em seus filhos: a auto-estima, proteo da emoo, capacidade de trabalhar perdas e frustraes, de filtrar 
estmulos estressantes, de dialogar, de ouvir.

Bons pais atendem, dentro das suas condies, os desejos dos seus filhos. Fazem festas de aniversrio, compram tnis, roupas, produtos eletrnicos, proporcionam 
viagens. Pais brilhantes do algo incomparavelmente mais valioso aos filhos. Algo que todo o dinheiro do mundo no pode comprar: o seu ser, a sua histria, as suas 
experincias, as suas lgrimas, o seu tempo.

Pais brilhantes, quando tm condies, do presentes materiais para seus filhos, mas no os estimulam a ser consumistas, pois sabem que o consumismo pode esmagar 
a estabilidade emocional, gerar tendo e prazeres para seus filhos so lembrados por um momento. Os pais que se preocupam em dar a sua histria os filhos se tornam 
inesquecveis.

Voc quer ser um pai ou uma me brilhante? Tenha coragem de falar sobre os dias mais tristes da sua vida com seus filhos. Tenha ousadia de contar sobre suas dificuldade 
do passado. Fale das suas aventuras, dos seus sonhos e dos momentos mais alegres da sua existncia. Humanize-se. Transforme a relao com seus filhos numa aventura. 
Tenha conscincia de que educar  penetrar um no mundo do outro.

Muitos pais trabalham para dar o mundo aos filhos, mas esquecem de abrir o livro da sua vida para eles. Infelizmente, seus filhos s vo admir-lo no dia em que 
eles morrerem. Por que  fundamental para a formao da personalidade dos filhos que os pais se deixem conhecer?

Porque esta  a nica maneira de educar a emoo e criar vnculos slidos e profundos. Quanto mais inferior  a vida de um animal, menos dependente ele  dos seus 
progenitores. Nos mamferos h uma dependncia grande dos filhos em relao aos pais, pois eles necessitam no apenas do instinto, mas de aprender experincias com 
seus pais poderem sobreviver.

Na nossa espcie essa dependncia  intensa. Por qu? Porque as experincias aprendidas so mais importantes do que as instintivas. Uma criana de sete anos  muito 
imatura e dependente dos seus pais, enquanto muitos animais com a mesma idade j so idosos.

Como ocorre esse aprendizado? Eu poderia escrever centenas de pginas sobre o assunto, mas neste livro comentarei apenas alguns fenmenos envolvidos no processo. 
O aprendizado depende do registro dirio de milhares de estmulos externos (visuais, auditivos, tteis) e internos (pensamentos e reaes emocionais) nas matrizes 
da memria. Anualmente arquivamos milhes de experincias. Diferentemente dos computadores, o registro em nossa memria  involuntrio, produzido pelo fenmeno RAM 
(registro automtico da memria).

Nos computadores, decidimos o que registrar; na memria humana, o registro no depende da vontade humana. Todas as imagens que captamos so registradas automaticamente. 
Todos os pensamentos e emoes - negativos ou saudveis - so registrados involuntariamente pelo fenmeno RAM.


Os vnculos definem a qualidade da relao


O que os filhos registram de voc? As imagens negativas ou positivas? Todas. Eles arquivam diariamente os seus comportamentos, sejam eles inteligentes ou estpidos. 
Voc no percebe, mas eles o esto fotografando a cada instante.

O que gera os vnculos inconscientes no  s o que voc diz a eles, mas tambm o que eles vem em voc. Muitos pais falam coisas maravilhosas para suas crianas, 
mas tm pssimas reaes na frente delas: so intolerantes, agressivos, parciais, dissimulados. Com o tempo, cria-se um abismo emocional entre pais e filhos. Pouco 
afeto, mas muitos atritos e crticas.

Tudo que  registrado no pode mais ser deletado, apenas reeditado atravs de novas experincias sobre experincias antigas. Reeditar  um processo possvel, mas 
complicado. A imagem que seu filho constitui de voc no pode ser mais apagada, s reescrita. Construir uma excelente imagem estabelece a riqueza da relao que 
voc ter com seus filhos.

Outro papel importante da memria  que a emoo define a qualidade do registro. Todas as experincias que possuem um alto volume emocional provocam um registro 
privilegiado. O amor e o dio, a alegria e a angstia provocam um registro intenso.
A mdia descobriu, sem ter conhecimentos cientficos, que anunciar as misrias humanas fisga a emoo e gera concentrao. De fato, acidentes, mortes, seqestros 
geram alto volume de tenso, conduzindo a um arquivamento privilegiado dessas imagens. Nossa memria tornou-se assim uma lata de lixo. No   toa que o homem moderno 
 um ser intranqilo, que sofre por antecipao e tem medo do amanh.


Fica mais barato perdoar


Se voc tem um inimigo, fica mais barato perdo-lo. Faa isso por voc. Caso contrrio, o fenmeno RAM o arquivar privilegiadamente. O inimigo dormir com voc 
e perturbar seu sono. Compreenda as suas fragilidades e perdoe-o, pois s assim voc ficar livre dele. Ensine seus filhos a fazer do palco da sua mente um teatro 
de alegria, e no um palco de terror. Leve-os a perdoar as pessoas que os decepcionam. Explique a eles este mecanismo.

Nossas agressividades, rejeies e atitudes impensadas podem criar um alto volume de tenso emocional em nossos filhos, gerando cicatrizes para sempre. Precisamos 
entender como se organizam as caractersticas doentias da personalidade.
O mecanismo psquico  o seguinte: uma experincia dolorosa  registrada automaticamente no centro da memria. A partir da ela  lida continuamente, gerando milhares 
de outros pensamentos. Estes pensamentos so novamente registrados, gerando as chamadas zonas de conflitos no inconsciente.

Se voc errou com seu filho,  insuficiente apenas ser dcil com ele num segundo momento. Pior ainda, no tente compensar sua agressividade comprando-o, dando-lhe 
coisas. Deste modo, ele o manipular e no o amar. Voc s reparar sua atitude e reeditar o filme do inconsciente se penetrar no mundo dele, se reconhecer sua 
atitude. Declare a seus filhos que eles no esto no rodap da sua vida, mas nas pginas centrais da sua histria.
Nos divrcios  comum o pai prometer aos filhos que jamais os abandonar. Mas quando diminui a temperatura da culpa, alguns pais tambm se divorciam dos seus filhos. 
Os filhos perdem a sua presena, s vezes no fsica, mas emocional. Os pais deixam de curtir, elogiar e ter momentos agradveis com os filhos.

Quando isso acontece, o divrcio gera grandes seqelas psquicas. Se a ponte dor bem feita, se a relao continuar a ser potica e afetiva, os filhos sobrevivero 
 turbulncia da separao dos seus pais e podero amadurecer.


Seus filhos no precisam de gigantes


A individualidade deve existir, pois ela  o alicerce da identidade da personalidade. No h homogeneidade no processo de aprender e no desenvolvimento das crianas 
(Vigotsky,1987). No h duas pessoas iguais no universo. Mas o individualismo  prejudicial. Uma pessoa individualista quer que o mundo gire em torno de sua rbita, 
sua satisfao est em primeiro lugar, mesmo se isso implicar o sofrimento dos outros.
Uma das causas do individualismo entre os jovens  que os pais no cruzam a sua histria com a de seus filhos. Mesmo que voc trabalhe muito, faa do pouco tempo 
disponvel grandes momentos de convvio com seus filhos. Role no tapete. Faa poesias. Brinque, sorria e solte-se. Perturbe-os prazerosamente.

Certa vez, um filho de nove anos perguntou a um pai, que era mdico, quanto ele cobrava por consulta. O pai disse-lhe o valor. Passado um ms, o filho aproximou-se 
do pai, tirou algumas notas do bolso, esvaziou seu cofre de moedas e disse-lhe com os olhos cheios de lgrimas: "Pai, faz tempo que eu quero conversar com voc, 
mas voc no tem tempo. Consegui o valor de uma consulta. Voc pode conversar comigo?"
Seus filhos no precisam de gigantes, precisam de seres humanos. No precisam de executivos, mdicos, empresrios, administradores de empresa, mas de voc, do jeito 
que voc . Adquira o hbito de abrir seu corao para os filhos e deix-los registrar uma imagem excelente da sua personalidade. Sabe o que acontecer?

Eles se apaixonaro por voc. Tero prazer em procur-lo, em estar perto de voc. Quer coisa mais gostosa do que isto? A crise financeira, as perdas ou as dificuldades 
podero arremeter-se sobre a relao de vocs, mas, se ela tem alicerces, nada a destruir.
De vez em quando, chame um dos seus filhos sozinho e almoce ou faa programas diferentes com ele. Diga o quanto ele  importante para voc. Perguntes como est a 
vida dele. Fale sobre seu trabalho e seus desafetos. Deixe seus filhos participarem da sua vida. Nenhuma tcnica psicolgica funcionar se o amor no funcionar.

Se voc passar por uma guerra no trabalho, mas tiver paz quando chegar em casa, ser um ser humano feliz. Mas, se voc tiver alegria fora de casa e viver uma guerra 
na sua famlia, a infelicidade ser sua amiga.

Muitos filhos reconhecem o valor dos seus pais, mas no o suficiente para admir-los, respeit-los, t-los como mestres da vida. Os pais que esto tendo dificuldades 
com os filhos no devem sentir-se culpados. A culpa engessa a alma. Na personalidade humana nada  definitivo.

Voc pode e deve reverter esse quadro. Voc tem experincias riqussimas que transformam sua histria num filme mais interessante do que os de Hollywood. Se voc 
duvida disso  porque talvez nem se conhea e, pior ainda, nem mesmo se admire.
Liberte a criana feliz que est em voc. Liberte o jovem alegre que vive na sua emoo, mesmo que seus cabelos j tenham embranquecido.  possvel recuperar os 
anos. Deixe seus filhos descobrirem seu mundo

Abra-se, chore e abrace-os. Chorar e abraar so mais importantes do que dar-lhes fortunas ou fazer-lhes montanhas de crticas.


2- Bons pais nutrem o corpo, pais brilhantes nutrem a personalidade 

Este hbito dos pais brilhantes contribui para desenvolver: reflexo, segurana, liderana, coragem, otimismo, superao do medo, preveno de conflitos


Bons pais cuidam da nutrio fsica dos filhos. Estimulam-nos a ter uma boa dieta, com alimentos saudveis, tenros e frascos. Pais brilhantes vo alm. Sabem que 
a personalidade precisa de uma excelente nutrio psquica. Preocupam-se com os alimentos que enriquecem a inteligncia e a emoo.

Antigamente uma famlia estruturada era uma garantia de que os filhos desenvolveriam uma personalidade saudvel. Hoje, bons pais esto produzindo filhos ansiosos, 
alienados, autoritrios, angustiados. Muitos filhos de mdicos, juzes, empresrios esto atravessando graves conflitos. Por que pais inteligentes e saudveis tm 
assistido seus filhos adoecerem?

Porque a sociedade se tornou uma fbrica se estresse. No temos controle sobre o processo de formao da personalidade dos nossos filhos. Ns os geramos e os colocamos 
desde cedo em contato com um sistema social controlador (Foucault, 1998).
Eles tm contato diariamente com milhares de estmulos sedutores que se infiltram nas matrizes de sua memria. Por exemplo, os pais ensinam os filhos a ser solidrios 
e a consumir o necessrio, mas o sistema ensina o individualismo e a consumir sem necessidade.

Quem ganha essa disputa? O sistema social. A quantidade de estmulos e a presso emocional que o sistema exerce no mago dos jovens so intensas. Quase no h liberdade 
de escolha.

Ter cultura, boa condio financeira, excelente relao conjugal e propiciar uma boa escola para os jovens no basta para produzir sade psquica. Qualquer animal 
s consegue escapar das garras de um predador se tiver grandes habilidades. Prepare seus filhos para sobreviverem nas guas turbulentas da emoo e desenvolverem 
capacidade crtica. S assim podero filtrar os estmulos estressantes. Sero livres para escolher e decidir.

Os pais que no ensinam seus filhos a ter uma viso crtica dos comerciais, dos programas de TV, da discriminao social os tornam presas fceis do sistema predatrio. 
Para este sistema, por mais tico que ele pretenda ser, seu filho  apenas um consumidor em potencial e no um ser humano. Prepare seu filho para "ser", pois o mundo 
o preparar para "ter".


Alimente a inteligncia


Bons pais ensinam os filhos a escovar os dentes, pais brilhantes os ensinam a fazer uma higiene psquica. Inmeros pais imploram diariamente par que os filhos faam 
a higiene bucal. Mas, e a higiene emocional? De que adianta prevenir cries, se a emoo das crianas se torna uma lata de lixo de pensamentos negativos,, manias, 
medos, reaes impulsivas e apelos sociais?

Por favor, ensine os jovens a proteger sua emoo. Tudo que atinge frontalmente a emoo atinge drasticamente a memria e constituir a personalidade. Certa vez, 
um excelente jurista me disse no consultrio que, se tivesse sabido proteger a sua emoo desde pequeno, sua vida no teria sido um drama. Ele fora rejeitado quando 
criana por algum prximo, porque tinha um defeito na face. A rejeio controlou sua alegria. O defeito no era grande, mas o fenmeno RAM registrou-o. No teve 
infncia. Escondia-se das pessoas. Vivia s no meio da multido.

Ajude seus filhos a no serem escravos dos seus problemas. Alimente o anfiteatro dos pensamentos e o territrio da emoo deles com coragem e ousadia. No se conforme 
se eles forem tmidos e inseguros.

O "eu", que representa a vontade consciente ou a liberdade de decidir, tem de ser treinado para tornar-se lder e no um fantoche. Ser lder no quer dizer ter capacidade 
para resolver tudo e assumir todos os problemas  nossa volta. Os problemas sempre existiro. Se forem solucionveis, temos de resolv-los. Se no temos condies 
de resolv-los, precisamos aceitar nossas limitaes. Mas jamais devemos gravitar na rbita deles.

Se voc tivesse a capacidade de entrar no palco da mente dos jovens, contrataria que muitos so atormentados por pensamentos ansiosos. Alguns se angustiam com as 
provas escolares. Outros, com cada curva do corpo que detestam. Outros ainda acham que ningum gosta deles. Muitos jovens tm uma pssima auto-estima. Quando a baixa-estima 
nasce, a alegria morre.

Certa vez, um jovem de dezesseis anos me procurou aps uma palestra. Disse que diariamente destrua sua tranqilidade ao pensar que um dia ficaria velho e morreria. 
Ele estava comeando a vida, mas se perturbava com seu fim. Quantos jovens no esto sofrendo, sem que nem mesmo seus pais ou seus professores lhes perscrutem o 
corao? O crcere da emoo tem aprisionado milhes de jovens. Eles sofrem em silncio. Depois de fechar as pginas deste livro, converse com eles.

Que educao  esta que fala sobre o mundo em que estamos e se cala sobre o mundo que somos? Pergunte sempre aos seus filhos: "O que est acontecendo com voc?", 
"Voc precisa de mim?", "Voc tem vivido alguma decepo?","O que eu posso fazer para torn-lo mais feliz?"

De que adianta voc cuidar diariamente da nutrio de bilhes de clulas dos seus filhos mas descuidar da nutrio psicolgica? De que adianta terem um corpo saudvel 
se no infelizes, instveis, sem proteo emocional, fogem dos seus problemas, tm medo das crticas, no sabem receber um "no"? Nenhum pai no mundo daria alimento 
estragado aos filhos, mas fazemos isso com nutrio psicolgica. No percebemos que tudo que eles arquivam controlar suas personalidades.

Alimente a personalidade de seus filhos de seus momentos de hesitao, doa vales emocionais que atravessou. No deixe que o solo da sua memria se transforme numa 
terra de pesadelos, mas num jardim de sonhos.

No se esquea de que tropeamos nas pequenas pedras e no nas montanhas. As pequenas pedras no inconsciente se transformam em grandes colinas.


O pessimismo  um cncer da alma


Voc pode no ter dinheiro, mas, se for rico em bom senso, ser um pai ou uma me brilhante. Se voc contagiar seus filhos com seus sonhos e entusiasmo, a vida ser 
enaltecida. Se for um especialista em reclamar, se mostrar medo da vida, temor pelo amanh, preocupaes excessivas com doenas, estar paralisando a inteligncia 
e a emoo deles.

Sabe quanto tempo demora um conflito psquico, sem tratamento e sem fundo gentico, para ter remisso espontnea? s vezes, trs geraes. Por exemplo, se um pai 
tem obsesso por doenas, um dos filhos poder registrar esta obsesso continuamente e reproduzi-la. O neto poder t-la com menos intensidade. Somente o bisneto 
poder ficar livre dela. Quem estuda os papis da memria sabe da gravidade do processo das mazelas psquicas.

Demonstre fora e segurana a seus filhos. Diga freqentemente a eles: "A verdadeira liberdade est dentro de voc", "No seja frgil diante das suas preocupaes!", 
"Enfrente as suas manias e ansiedade", "Opte por ser livre! Cada pensamento negativo deve ser combatido, para no ser registrado".

O verdadeiro otimismo  construdo pelo enfrentamento dos problemas e no pela negao. Por isso, as palestras de motivao raramente funcionam. Elas no do ferramentas 
para gerar um otimismo slido, que nutre o "eu" como lder do teatro da inteligncia. Por isso, a linha deste livro  de divulgao cientfica. Meu objetivo  dar 
ferramentas.

De acordo com pesquisas em universidades americanas, uma pessoa otimista tem 30% de chances a menos de ter doenas cardacas. Os otimistas tm menos chances ainda 
de ter doenas emocionais e psicossomticas.

O pessimismo  um cncer da alma. Muitos pais so vendedores do pessimismo. J no basta o lixo social que a mdia deposita no palco da mente dos jovens, muitos 
pais transmitem para eles um futuro sombrio. Tudo lhes  difcil e perigoso. Esto preparando os filhos para temer a vida, fechar-se num casulo viver sem poesia. 
Nutra seus filhos com um otimismo slido!

No devemos formar super-homens, como preconizava Nietzsche. Pais brilhantes no formam heris, mas serem humanos que conhecem seus limites e sua fora.


3- Bons pais corrigem erros, pais brilhantes ensinam a pensar

Esse hbito dos pais brilhantes contribui para desenvolver: conscincia crtica, pensar antes de reagir, fidelidade, honestidade, capacidade de questionar, responsabilidade 
social.

Bons pais corrigem falhas, pais brilhantes ensinam os filhos a pensar. Entre corrigir erros e ensinar a pensar existem mais mistrios do que imagina nossa v psicologia.
No seja um perito em criticar comportamentos inadequados, seja um perito em fazer seus filhos refletirem. As velhas broncas e os conhecidos sermes definitivamente 
no funcionam, s desgastam a relao.

Quando voc abre a boca para repetir as mesas coisas, detona um gatilho inconsciente que abre determinados arquivos da memria que contm velhas crticas. Seus filhos 
j sabero tudo o que voc vai dizer. Eles se armaro e se defendero. Conseqentemente, o que voc disser, no ecoar dentro deles, no gerar um momento educacional. 
Este processo  inconsciente.

Quando seu filho erra, ele j espera uma atitude sua. Se o que voc diz no causa impacto na sua emoo, o fenmeno RAM no produzir um registro inteligente, e 
, conseqentemente, no haver crescimento, mas sofrimento. No insista em repetir as mesmas coisas para os mesmos erros, para as mesmas teimosias.

s vezes, insistimos anos a fio dizendo as mesmas coisas, e os jovens continuam repetindo as mesmas falhas. Eles so teimosos e ns, estpidos. Educar no  repetir 
palavras,  criar idias,  encantar. Os mesmos erros merecem novas atitudes.

Se nossos filhos fossem computadores, poderamos repetir a mesma reao para corrigir o mesmo defeito. Mas eles possuem inteligncia complexa. Diariamente, pelo 
menos quatro fenmenos lem a memria e, em meio a bilhes de opes, produzem milhares de cadeias de pensamentos e inmeras transformaes da energia emocional. 
No  objeto desde livro estudar os quatro fenmenos que lem a memria; aqui apenas os citarei: o gatilho da memria, a janela da memria, o autofluxo e o "eu", 
que representa a vontade consciente.

A personalidade das crianas e dos jovens est em constante ebulio, porque nunca se interrompe a construo de pensamentos.  impossvel parar de pensar, at a 
tentativa de interrupo do pensamento j  um pensamento. Nem ao dormir interrompemos os pensamentos, por isso sonhamos. Pensar  inevitvel, mas pensar demais, 
como estudaremos, gera um desgaste violento de energia cerebral, prejudicando drasticamente a qualidade de vida.


No seja um manual de regras.


Os computadores so pobres engenhocas comparados  inteligncia de qualquer criana, mesmo das crianas especiais. Mas insistimos em educar nossos filhos como se 
fossem aparelhos lgicos que precisam apenas seguir um manual de regras. Cada jovem  um mundo a ser explorado.

Regras so boas para consertar computadores. Dizer "faa isso" ou "no faa aquilo", sem explicar as causas, sem estimular a arte de pensar, produz robs e no jovens 
que pensam.

Creio que 99% das crticas e das correes dos pais so inteis, no influenciam a personalidade dos jovens. Alm de no educar, eles geram mais agressividade e 
distanciamento. O que fazer? Surpreend - los!

Pais brilhantes conhecem o funcionamento da mente para educar melhor. Eles tm conscincia de que precisam ganhar primeiro o territrio da emoo, para depois ganhar 
o anfiteatro dos pensamentos e, em ltimo lugar, conquistar os solos conscientes e inconscientes da memria, que  a caixa de segredos da personalidade. Eles surpreendem 
a emoo com gestos mpares. Deste modo, geram fantsticos momentos educacionais.

Os pais podem ler durante dcadas a minha teoria, as idias de Piaget, a psicanlise de Freud, as inteligncias mltiplas de Gardner, a filosofia de Plato, mas, 
se no conseguirem encantar, ensinar a pensar e conquistar o armazm da memria dos seus filhos, nenhum estudo ter aplicabilidade e validade.

Surpreender os filhos  dizer coisas que eles no esperam, reagir de modo diferente diante dos seus erros, superar as suas expectativas. Por exemplo: seu filho acabou 
de levantar a voz para voc. O que fazer? Ele espera que voc grite e o castigue! Mas, em vez disso, voc inicialmente se cala, relaxa e depois diz algo que o deixa 
pasmo: "Eu no esperava que voc me ofendesse desse jeito. Apesar da dor que voc me causou, eu amo e respeito muito voc." Aps dizer essas palavras, o pai sai 
de cena e deixa o filho pensar. A resposta do pai abalar os alicerces de sua agressividade.

Se voc quiser causar um impacto enorme no universo emocional e racional dos seus filhos, use de criatividade e sinceridade. Voc conquistar os inconquistveis. 
Se aplicar esses princpios no trabalho, tenha certeza de que voc envolver at os colegas mais complicados. Entretanto, no  apenas com um gesto que voc garantir 
a conquista, mas atravs de uma pauta de vida.

Se voc educa a inteligncia emocional dos seus filhos com elogios quando eles esperam uma bronca (Goleman, 1996), com um encorajamento quando eles esperam uma reao 
agressiva, com uma atitude afetuosa quando eles esperam um ataque de raiva, eles se encantaro e registraro voc com grandeza. Os pais se tornaro assim agentes 
de mudana.

Bons pais dizem aos filhos: "Voc est errado". Pais brilhantes dizem: "O que voc acha do seu comportamento?"

Bons pais dizem: "Voc falhou de novo." Pais brilhantes dizem: "Pense antes de reagir." Bons pais punem quando os filhos fracassam; pais brilhantes os estimulam 
a fazer de cada lgrima uma oportunidade de crescimento.


Gerao do hambrger emocional


A juventude sempre foi uma fase de rebeldia s convenes dos adultos. Mas a atual gerao produziu um efeito nico na Histria: matou a arte de pensar e a capacidade 
de contestao da juventude. Os jovens raramente contestam o comportamento dos adultos. Por que?

Porque eles amam o veneno que produzimos. Eles amam o sucesso rpido, o prazer imediato, os holofotes da mdia, ainda que vivam no anonimato. O excesso de estmulo 
gerou uma emoo flutuante, sem capacidade contemplativa. At seus modelos de vida tm de ter um sucesso explosivo. Querem ser personagens como artistas ou esportistas 
que, do dia para a noite, conquistam fama e aplausos.

Os jovens vivem a gerao do "hamgrger emocional". Detestam a pacincia. No sabem contemplar o belo nas pequenas coisas da vida. No lhes pea para admirarem as 
flores, os entardeceres, as conversar singelas. Para eles tudo  uma chatice. As crticas dos pais e dos professores so insuportveis, raramente eles as ouvem com 
ateno.
Como ajud-los? Saia do lugar comum. Uma das coisas mais importantes na educao  levar um filho a admirar seu educador. Um pai pode ser um trabalhador braal, 
mas, se encanta o seu filho, ser grande dentro dele. Um pai pode ser grande no meio empresarial, ter milhares de funcionrios, mas, se no encantar seu filho, ser 
pequeno em sua alma.
Seja um mestre da inteligncia, ensine-os a pensar. Deixe-os fotografar a pessoa brilhante que voc . Ser que este clamor encontrar um eco?


4-Bons pais preparam os filhos para os aplausos, pais brilhantes preparam os filhos para os fracassos.

Este hbito dos pais brilhantes contribui para desenvolver: motivao, ousadia, pacincia, determinao, capacidade de superao, habilidade para criar e aproveitar 
oportunidades.

Bons pais preparam os filhos para receber aplausos, pais brilhantes os preparam para enfrentar suas derrotas. Bons pais educam a inteligncia lgica dos filhos, 
pais brilhantes educam a sensibilidade.

Estimule os seus filhos a ter metas, a procurar o sucesso no estudo, no trabalho, nas relaes sociais, mas no pare por a. Leve-os a no ter medo dos insucessos. 
No h pdio sem derrotas. Muitos no sobem no pdio, no por no terem capacidade, mas porque no souberam superar os fracassos do caminho. Muitos no conseguem 
brilhar no seu trabalho porque desistiram nos primeiros obstculos.
Alguns no venceram porque no tiveram pacincia para suportar um no, porque no tiveram ousadia para enfrentar algumas criticas, nem humildade para reconhecer 
suas falhas.

A perseverana  to importante quanto a habilidade intelectual. A vida  uma longa estrada que tem curvas imprevisveis e derrapagens inevitveis. A sociedade nos 
prepara para os dias de glria, mas so os dias de frustrao que do sentido a essa glria.

Revelando maturidade, os pais brilhantes se colocam como modelos de vida para uma vida vitoriosa. Para eles, ter sucesso no e ter uma vida infalvel. Vencer no 
 acertar sempre. Por isso, eles so capazes de dizer aos filhos: "Eu errei", "Desculpe-me", "Eu preciso de voc". Eles so fortes nas convices, mas flexveis 
para admitir suas fragilidades. Pais brilhantes mostram que as mais belas flores surgem aps o mais rigoroso inverno.


A vida  um contrato de risco


Pais que no tem coragem de reconhecer seus erros nunca ensinaro seus filhos a enfrentar seus prprios erros e a crescer com eles. Pais que admitem que esto sempre 
certos nunca ensinaro seus filhos a transcender seus fracassos. Pais que no pedem desculpas nunca ensinaro seus filhos a lidar com a arrogncia. Pais que no 
revelam seus temores tero sempre dificuldades de ensinar seus filhos  a ver nas perdas oportunidades para serem mais fortes e experientes. Temos agido assim com 
nossos filhos, ou desempenhamos apenas as obrigaes triviais da educao?
Viver  um contrato de risco. Os jovens precisam viver este contrato apreciando os desafios e no fugindo deles. Se eles se intimidarem diante das derrotas e dificuldades, 
o fenmeno RAM registrar em sua memria milhares de experincias que financiaro o complexo de inferioridade, a baixa auto - estima e o sentimento de incapacidade. 
Qual  a conseqncia? 

Um jovem que tem baixa auto - estima se sentir diminudo, inferiorizado, sem capacidade para correr risco e para transformar suas metas em realidade. Poder viver 
em envelhecimento emocional precoce. A juventude deveria ser a melhor poca do prazer, embora tenha suas inquietaes. Muitos so velhos no corpo de jovens. Ser 
idoso no quer dizer ser velho. Alis, muitos idosos, por serem felizes e motivados, so mais jovens na sua emoo do que grande parte dos jovens da atualidade.

Qual  a caracterstica de uma emoo envelhecida, sem tempero e motivao? Incapacidade de contemplao do belo e uma capacidade intensa de reclamar, pois nada 
satisfaz prolongadamente. Reclamar do corpo, da roupa, dos amigos, da falta de dinheiro, da escola e at de ter nascido.

A capacidade de reclamar  o adubo da misria emocional e a capacidade de agradecer  o combustvel da felicidade. Muitos jovens fazem muitas coisas para ter uma 
migalha de prazer. Eles mendigam o po da alegria, mesmo morando em palcios.
Os jovens que se tornam mestres em reclamar tm grande desvantagem competitiva. Dificilmente conquistaro espao social e profissional. Alerte-os!

Como os jovens entendem o que  a memria dos computadores, compare-a com a memria humana. Diga-lhes que toda reclamao  acompanhada de um alto grau de tenso, 
que, por sua vez, sofre um arquivamento privilegiado pelo fenmeno RAM na memria, que levemente destri o jbilo da emoo. Os melhores anos da vida so sufocados. 
Pouco  a pouco, eles perdem o sorriso, a garra, a motivao.


Descobrindo a grandeza das coisas annimas 


Leve seus filhos a encontrar grandes motivos para serem felizes nas pequenas coisas. Uma pessoa emocionalmente superficial precisa de grandes eventos para ter prazer, 
uma pessoa profunda encontra prazer nas coisas ocultas, nos fenmenos aparentemente imperceptveis: no movimento das nuvens, no bailar das borboletas, no abrao 
de um amigo, no beijo de quem ama, num olhar de cumplicidade, no sorriso solidrio de um desconhecido.

Felicidade no  obra do acaso, felicidade  um treinamento. Treine as crianas a serem excelentes observadoras. Saia pelos campos ou pelos jardins, faa-as acompanhar 
o desabrochar de uma flor e descubra juntamente com elas o belo invisvel. Sinta com seus olhos as coisas lindas que esto a seu redor.

Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a fora que surge nas perdas, a segurana que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos. As montanhas 
so formadas por ocultos gros de areia.

As crianas sero felizes se aprenderem a contemplar o belo nos momentos de glria e de fracassos, nas flores das primaveras e nas folhas secas do inverno. Eis o 
grande desafio da educao da emoo!

Para muitos, a felicidade  loucura dos psiclogos, delrio dos filsofos, alucinao dos poetas. Eles no entenderam que os segredos da felicidade se escondem nas 
coisas simples e annimas, to distantes e to prximas deles.


5 - Bons pais conversam, pais brilhantes dialogam como amigos

Este hbito dos pais brilhantes contribui para desenvolver: solidariedade, companheirismo, prazer de viver, otimismo, inteligncia interpessoal.

Vimos que o primeiro hbito dos pais brilhantes  deixar seus filhos conhec-los; o segundo  nutrir a personalidade deles; o terceiro  ensin-los a pensar; o quarto 
 prepar-los para as derrotas e dificuldades da vida. Agora, precisamos compreender que a melhor maneira de desenvolver todos esses hbitos  adquirir um quinto 
hbito: dialogar.

Bons pais conversam, pais brilhantes dialogam. Entre conversar e dialogar h um grande vale. Conversar  falar sobre o mundo que nos cerca, dialogar  falar sobre 
o mundo que somos. Dialogar  contar experincias,  segredar o que est oculto no corao,  penetrar alm da cortina dos comportamentos,  desenvolver inteligncia 
interpessoal (Gardner, 1995).

A maioria dos educadores no consegue atravessar essa cortina. De acordo com uma pesquisa que realizei, mais de 50% dos pais nunca tiveram coragem de dialogar com 
seus filhos sobre seus medos, perdas, frustraes.

Como  possvel que pais e filhos vivam debaixo do mesmo teto por anos a fio e permaneam completamente ilhados? Eles dizem que se amam, mas gastam pouca energia 
para cultivar o amor. Eles cuidam da parede trincada, dos problemas do carro, mas no cuidam dos trincos da emoo e dos problemas da relao.
Quando uma simples torneira est vazando, os pais se preocupam em repar-la. Mas ser que eles gastam tempo dialogando com seus filhos para ajud-los a reparar a 
alegria, a segurana ou a sensibilidade que est se dissipando?

Se pegssemos todo o dinheiro de uma empresa e o jogssemos no lixo, estaramos cometendo um grave crime contra ela. Ela iria  falncia. Ser que no temos cometido 
este crime contra a mais fascinante empresa social - a famlia -, cuja nica moeda  o dilogo? Se destruirmos o dilogo, como se sustentar a relao "pais e filhos"? 
Ela ir  falncia. 

Devemos adquirir o hbito de nos reunir pelo menos semanalmente com nossos filhos, para dialogar com eles. Devemos dar-lhes liberdade para que possam falar de si 
mesmos, das suas inquietaes e das dificuldades de relacionamento com os irmos e conosco, seus pais. Vocs no imaginam o que essas reunies podem provocar.

Se os pais nunca contaram para seus filhos os seus mais importantes sonhos,e  tambm nunca ouviram  deles as suas maiores alegrias e suas decepes mais marcantes, 
eles formaro um grupo de estranhos e no uma famlia. No h mgica para construir uma relao saudvel. O dilogo  insubstituvel.


Procurando amigos


H um mundo a ser descoberto dentro de cada jovem, mesmo dos mais complicados e isolados. Muitos jovens so agressivos e rebeldes, e seus pais no percebem que eles 
esto gritando atravs de seus conflitos. Os comportamentos inadequados muitas das vezes so clamores que imploram a presena, o carinho e a ateno dos pais.
Muitos sintomas psicossomticos, tais como dores de cabea ou dores abdominais, tambm so gritos silenciosos dos filhos. Quem os ouve? Muitos pais levam seus filhos 
a psiclogos, o que pode ajudar, mas, no fundo, o que eles esto procurando  o corao dos pais.

Uma sugesto: se voc tiver condies, desligue a TV aberta e fique apenas com a fechada. Se tomar essa atitude, provavelmente voc ficar espantado com o salto 
na relao de seus filhos com os irmos e com voc. Eles sero mais afetuosos, dialogaro mais, tero mais tempo para brincar e se divertir. Assistiro a menos canais 
apelativos e a mais canais contemplativos, que falam sobre natureza e cincia.

E quem no tem TV fechada? Aqui vai uma outra sugesto pata todos os pais, ainda mais importante do que a primeira. Chamo-a de "projeto da educao da emoo" (PEE): 
desliguem a TV durante uma semana completa a cada dois meses e realizem coisas interessantes com seus filhos. Planejem passar seis semanas ao longo do ano com eles. 
Pais e filhos, mesmo que no viajem para lugares longnquos, devem viajar para dentro uns dos outros.

Combinem o que faro. Vo para a cozinha juntos, inventem novos pratos, contem piadas, faam teatro familiar, plantem flores, conheam coisas interessantes. Fiquei 
todas as noites com seus filhos em cada uma dessas semanas. Faam do PEE um projeto de vida.

O maior desejo dos pais deveria ser que seus filhos fossem seus amigos: diplomas, dinheiro, sucesso so conseqncias de uma educao brilhante. Eu tenho trs filhas. 
Se elas no se tornarem minhas amigas, serei frustrado como pai, mesmo que seja um escritor mundialmente respeitado.

Apesar de ser especialista em conflitos psquicos, eu tambm erro, e no poucas vezes. Mas o mais importante  saber o que fazer com os erros. Eles podem construir 
a relao ou destru-la. Por diversas vezes, pedi desculpas s minhas filhas quando levantei minha voz desnecessariamente. Assim, elas aprenderam comigo a se desculpar 
e a reconhecer seus excessos.

Algumas pessoas que me viram tomar essa atitude ficaram impressionadas. Diziam: "O Cury est pedindo desculpas para as suas filhas?" Nunca viram um pai reconhecer 
erros e se desculpar, ainda mais um psiquiatra. Muitos filhos de psiclogos e psiquiatras adquirem conflitos porque os pais no se humanizam, no conseguem falar 
ao corao deles e ser admirados por eles. 

No quero filhas que me temam, quero que elas me amem. Felizmente, elas so apaixonadas por mim e por minha esposa. Se h amor, a obedincia  espontnea e natural. 
No h coisa mais linda, mais potica, do que pais serem grandes amigos dos seus filhos.


A prola do corao


Abraar, beijar e falar espontaneamente com os filhos cultiva a afetividade, rompe os laos da solido. Muitos europeus e americanos sofrem de profunda solido. 
Eles no sabem tocar seus filhos e dialogar abertamente com eles. Moram na mesma casa, mas vivem em mundos diferentes. O toque e o dilogo so mgicos, criam uma 
esfera de solidariedade, enriquecem a emoo e resgatam o sentido da vida.
Muitos jovens cometem suicdio nos pases desenvolvidos, porque raramente algum penetra no mundo deles e  capaz de ouvi-los sem preconceito. Existe  um conceito 
errado na psiquiatria sobre o suicdio. Quem comete atos de suicdio no quer matar a vida, e sim a sua dor.

Todas as pessoas que pensam em morrer no fundo tm fome e sede de viver. O que elas querem destruir  o sofrimento causado por seus conflitos, a solido que as abate, 
a angstia que as solapa. Fale isso para as pessoas deprimidas, e voc ver brotar a esperana em seu interior. Na minha experincia, pude ajudar muitos pacientes 
e encontrar coragem para mudar as rotas da sua vida por dizer tais palavras. Alguns entravam no consultrio desejosos de morrer, mas saam convencidos de que amavam 
desesperadamente viver.

Numa sociedade em que pais e filhos no so amigos, a depresso e outros transtornos emocionais encontram um meio de cultura ideal para crescerem. A autoridade dos 
pais e o respeito por parte dos filhos no so incompatveis com a mais singela amizade. Por um lado, voc no deve permissivo nem um joguete nas mos de seus filhos, 
por outro, voc deve procurar ser um grande amigo deles.

Estamos na era da admirao. Ou os seus filhos o admiram ou voc no ter influncia sobre eles. A verdadeira autoridade e o slido respeito nascem atravs do dilogo. 
O dilogo  uma prola oculta no corao. Ela  to cara e to acessvel. Cara, porque ouro e prata no a compram; acessvel, porque o mais miservel dos homens 
pode encontr-la. Procure-a.


6- Bons pais do informaes, pais brilhantes contam histrias

Este hbito dos pais brilhantes, contribui para desenvolver: criatividade, inventividade, perspiccia, raciocnio esquemtico, capacidade de encontrar solues em 
situaes tensas.

Bons pais so uma enciclopdia de informaes, pais brilhantes so agradveis contadores de histrias. So criativos, perspicazes, capazes de extrair das coisas 
mais simples belssimas lies de vida.

Querem ser pais brilhantes? No apenas tenho o hbito de dialogar, mas de contar histrias. Cativem seus filhos pela sua inteligncia e afetividade, no pela sua 
autoridade, dinheiro ou poder. Tornem-se pessoas agradveis. Influenciem o ambiente onde eles esto.

Sabe qual  o termmetro que indica se vocs so agradveis, indiferentes ou insuportveis? A imagem que os filhos dos seus amigos tm de vocs. Se eles tm prazer 
em se aproximar, vocs passaram no teste. Se eles os evitam, vocs foram reprovados e tero de rever suas atitudes.

Sempre fui um contador de histrias. Minhas filhas adolescentes me pedem at hoje para cont-las. Os pais que so contadores de histrias no tm vergonha de usar 
seus erros e dificuldades para ajudar os filhos e mergulhar dentro de si mesmos e encontrar seus caminhos. Quando os filhos esto desesperados, com medo do amanh, 
com receio de enfrentar um problema, esses pais entram em cena e criam histrias que transformam a emoo ansiosa dos filhos numa fonte de motivao.

Certa vez, uma de minhas filhas foi criticada por algumas jovens por ser uma pessoa simples, no gostar de ostentao e tambm por no compactuar com a preocupao 
excessiva com a esttica. Estava se sentindo rejeitada e triste. Aps ouvi-la, libertei minha imaginao e contei-lhe uma histria. Disse-lhe que algumas pessoas 
preferem um bonito sol pintado num quadro, outras preferem um sol real, ainda que esteja coberto pelas nuvens. Perguntei-lhe: qual  o sol que voc prefere?

Ela pensou e escolheu o sol real. Ento, completei, mesmo que as pessoas no acreditem no seu sol, ele est brilhando. Voc tem luz prpria. Um dia, as nuvens que 
o encobrem se dissiparo e as pessoas iro enxerg-lo. No tenha medo das crticas dos outros, tenha medo de perder a sua luz.

Ela nunca mais se esqueceu dessa histria. Ficou to feliz que a contou para vrias de suas amigas. Ser feliz  um treinamento e no uma obra do acaso. Qual  uma 
das mais excelentes maneiras de educar? Contar histrias. Contar histrias amplia o mundo das idias, areja a emoo, dilui as tenses.

A chegada de um novo irmo pode gerar reaes agressivas, rejeies, regresses instintivas (ex., perda do controle do ato de urinar) e mudanas de atitude do irmo 
mais velho, comprometendo a formao da sua personalidade. O beb se torna, s vezes, um estranho no ninho. Pais habilidosos criam histrias, desde a gestao do 
beb, que incluem ambos os irmos em experincias divertidas e que incentivam o companheirismo. O mais velho incorpora essas histrias, deixa de encarar o mais novo 
irmo como rival e desenvolve afetividade por ele.


Ensine muito falando pouco


O Mestre dos mestres foi um excelente educador porque era um contador porque era um contador de parbolas. Cada parbola que ele contou h dois mil anos era uma 
rica histria que abria o leque da inteligncia, destrua preconceitos e estimulava o pensamento. Este era um dos segredos pelos quais ele vivia rodeado de jovens.
Os jovens apreciam pessoas inteligentes. Para ser inteligente no  preciso ser um intelectual ou um cientista, basta criar histrias e inserir nelas lies de vida. 
Muitos pais so engessados nas suas mentes. Acham que no so criativos, que no tm perspiccia e inteligncia. O que no  verdade. Tenho convico, como pesquisador 
da inteligncia, de que cada pessoa tem um potencial intelectual enorme que est represado.

Recordo-me de um paciente autista que no produzia qualquer pensamento lcido. Sua incapacidade intelectual era enorme. Depois de usar algumas ferramentas que estimularam 
o fenmeno RAM, as janelas da sua memria se abriram. Aps dois anos de tratamento, no apenas estava pensando com brilhantismo, mas tambm contando histrias. Todos 
os seus colegas de classe ficavam pasmos com sua imaginao. H um contador de histrias dentro do ser humano mais hermtico e fechado.

Se, s vezes, nem voc mesmo suporta seu jeito fechado de ser, como quer que seus filhos o ouam? No grite, no agrida, no revide com agressividade. Pare! Conte 
histrias para quem voc ama. Voc pode ensinar muito falando pouco.

Tenha intrepidez para mudar! Seja inventivo. Voc pode educar muito se desgastando pouco. Pais brilhantes estimulam seus filhos a vencer seus temores e a viver com 
suavidade. So contadores de histrias, so vendedores de sonhos. Se voc conseguir fazer seus filhos sonharem, ter um tesouro que muitos reis procuraram e no 
conquistaram.


7 - Bons pais do oportunidades, pais brilhantes nunca desistem.
Este hbito dos pais brilhantes contribui para desenvolver: apreo pela vida, esperana, perseverana, motivao, determinao e capacidade de se questionar, de 
superar obstculos e de vencer fracassos.

Bons pais so tolerantes com alguns erros dos seus filhos, pais brilhantes jamais desistem deles, ainda que os filhos os decepcionem e adquiram transtornos emocionais. 
O mundo pode no apostar em nossos filhos, mas jamais devemos perder a esperana de que se tornem grandes seres humanos.

Pais brilhantes so semeadores de idias e no controladores dos seus filhos. Eles semeiam no solo da inteligncia deles e esperam que um dia suas sementes germinem. 
Durante a espera pode haver desolao, mas, se as sementes so boas, um dia germinaro, mesmo que os filhos se droguem, no tenham respeito pela vida e no parem 
em emprego algum.

Talvez alguns pais estejam lendo este livro e chorando. Seus filhos esto vivendo profundas crises. Eles recusam um tratamento e so indiferentes s lgrimas das 
pessoas que os amam. O que fazer? Desistir deles! No. Mas comportar-se como o pai do filho prdigo.

O filho desistiu do pai, mas o pai nunca desistiu do filho. O filho partiu, mas o pai o aguardou. O pai esperava diariamente que ele aprendesse na escola da vida 
as lies que no aprendeu aos seus ps. Por fim, a grande vitria. A dor rompeu a casca das sementes que o pai plantou e lapidou silenciosamente a personalidade 
do filho. Ele voltou. Adquiriu profundas cicatrizes na alma, mas est mais maduro e experiente. O pai no condenou o filho injusto, mas fez-lhe uma grande festa. 
Ningum entendeu. O amor  incompreensvel.

Devemos ser poetas na batalha da educao. Podemos chorar, mas jamais desanimar. Podemos nos ferir, mas jamais deixar de lutar. Devemos ver o que ningum v. Enxergar 
um tesouro soterrado nas rsticas pedras do corao dos nossos filhos.


Ningum se diploma na tarefa de educar


Antigamente, os pais eram autoritrios; hoje, so os filhos. Antigamente, os professores eram os heris dos alunos; hoje, so vtimas deles. Os jovens no sabem 
ser contrariados. Nunca na histria assistimos a crianas e jovens dominando tantos os adultos. Os filhos se comportam como reis cujos desejos tm de ser imediatamente 
atendidos.

Em primeiro lugar, aprenda a dizer "no" para seus filhos sem medo. Se eles no ouvirem "no" dos seus pais, estaro despreparados para ouvir "no" da vida. No 
tero chance de sobreviver.

Em segundo lugar, quando disserem "no", os pais no devem ficar cedendo a chantagens e presses dos filhos. Caso contrrio, a emoo das crianas e jovens se tornar 
uma gangorra: num momento sero dceis, em outro, explosivos; numa hora estaro animados, em seguida mal-humorados.

Se forem flutuantes e chantagistas no ambiente social, sero excludos.
Em terceiro lugar, os pais tm de deixar claro quais so os pontos a serem negociados e quais so os limites inegociveis. Por exemplo, ir para a cama de madrugada 
durante a semana e ter de acordar cedo para estudar  inaceitvel e, portanto, inegocivel. De outro lado, a quantidade de tempo na Internet e o horrio de volta 
para casa podem ser negociados. 

Se os pais incorporarem os hbitos dos educadores brilhantes que mencionei, eles podero, sem medo, contrariar, colocar limites e dizer "no" aos seus filhos. Os 
resmungos, as birras, as crises deles no sero destrutivas, mas construtivas. 
Vivemos tempos difceis. As regras e os conselhos psicolgicos parecem no ter mais eficcia. Pais do mundo todo se sentem perdidos, sem solo para andar, sem ferramentas 
para penetrar no mundo dos seus filhos. De fato, conquistar o planeta psquico dos nossos filhos  to ou mais complexo do que conquistar o planeta fsico. Atuar 
no aparelho da inteligncia  uma arte que poucos aprendem.

Quero deixar claro que os hbitos dos pais brilhantes revelam que ningum se diploma na educao de filhos. Os que dizem "Eu sei" ou "No preciso da ajuda de ningum" 
j esto derrotados. Para educar precisamos aprender sempre e conhecer na plenitude a palavra pacincia. Quem no tem pacincia desiste, quem no consegue aprender 
no encontra caminhos inteligentes.

Infelizes dos psiquiatras que no conseguem aprender com seus pacientes. Infelizes dos pais que no conseguem aprender com seus filhos a corrigir rotas. Infelizes 
dos professores que no conseguem aprender com seus alunos a renova suas ferramentas. A vida  uma grande escola que pouco ensina para quem no sabe ler.

Por ser a vida uma grande escola, os pais devem procurar compreender os hbitos dos professores fascinantes que descreverei a seguir. Eles sero teis na sua jornada.
Pais e professores so parceiros na fantstica empreitada da educao.




Parte 2 - Sete hbitos de bons professores e dos professores fascinantes


Educar  ser um arteso da personalidade, um poeta da inteligncia , um semeador de idias.


1 - Bons professores so eloqentes, professores fascinantes conhecem o funcionamento da mente.

Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver em seus alunos: capacidade de gerenciar os pensamentos, administrar as emoes, ser lder e si 
mesmo, trabalhar perdas e frustraes, superar conflitos.


        Bons professores tm uma boa cultura acadmica e transmitem com segurana e eloqncia as informaes em sala de aula. Os professores fascinantes ultrapassam 
essa meta. Eles procuram conhecer o funcionamento da mente dos alunos para educar melhor. Pra eles, cada aluno no  mais um nmero na sala de aula, mas um ser humano 
complexo, com necessidades peculiares.

        Os professores fascinantes transformam a informao em conhecimento e o conhecimento em experincia. Sabem que apenas a experincia  registrada de maneira 
privilegiada nos solos da memria, e somente ela cria avenidas na memria capazes de transformar a personalidade. Por isso, esto sempre trazendo as informaes 
que transmitem para a experincia da vida.

        A educao passa por uma crise sem precedentes na Histria. Os alunos esto alienados, no se concentram, no tm prazer em aprender e so ansiosos. De quem 
 a culpa? Dos alunos ou dos pais? Nem de uns nem dos outros. As causas principais so frutos do sistema social que estimulou de maneira assustadora os fenmenos 
que constroem os pensamentos. Estudaremos esse assunto no tpico a seguir.

        O palco da mente dos jovens de hoje  diferente dos jovens do passado. Os fenmenos que esto nos bastidores da mente deles e que produzem pensamentos so 
os mesmos, mas os atores que esto no palco so distintos. A qualidade e a velocidade dos pensamentos mudaram. Precisamos conhecer alguns papis da memria e algumas 
reas do processo de construo da inteligncia para encontrar as ferramentas necessrias e capazes de dar uma reviravolta na educao.

        O primeiro hbito de um professor fascinante  entender a mente do aluno e procurar respostas incomuns, diferentes daquelas a que o jovem est costumado.


A Sndrome SPA

        A televiso mostra mais de sessenta personagens por hora com as mais diferentes caractersticas de personalidade. Policiais irreverentes, bandidos destemidos, 
pessoas divertidas. Essas imagens so registradas na memria e competem com a imagem dos pais e professores.

        Os resultados inconscientes disso so graves. Os educadores perdem a capacidade de influenciar o mundo psquico dos jovens. Seus gestos e palavras no tm 
impactos emocionais e, conseqentemente, no sofrem um arquivamento privilegiado capaz de produzir milhares de outras emoes e pensamentos que estimulem o desenvolvimento 
da inteligncia. Freqentemente os educadores precisam gritar para obter o mnimo de ateno.

        A maior conseqncia do excesso de estmulos da TV  contribuir para gerar a sndrome do pensamento acelerado, SPA. Nunca deveramos ter mexido na caixa 
preta da inteligncia, que  a construo de pensamentos, mas, infelizmente, mexemos. A velocidade dos pensamentos no poderia ser aumentada cronicamente. Caso contrrio, 
ocorreriam uma diminuio da concentrao e um aumento da ansiedade.  exatamente isso que est acontecendo com os jovens.

        A ansiedade da SPA gera uma compulso por novos estmulos, numa tentativa de alivi-la. Embora menos intenso, o princpio  o mesmo que ocorre na dependncia 
psicolgica das drogas. Os usurios de drogas usam sempre novas doses para tentar aliviar a ansiedade gerada pela dependncia. Quanto mais usam, mais dependentes 
ficam.

        Os portadores da SPA adquirem uma dependncia por novos estmulos. Eles se agitam na cadeira, tm conversas paralelas, no se concentram, mexem com os colegas. 
Estes comportamentos so tentativas de aliviar a ansiedade gerada pela SPA. 

        A educao est falida, a violncia e a alienao social aumentaram, porque, sem perceber, cometemos um crime contra a mente das crianas e dos adolescentes. 
Tenho convico cientfica de que a velocidade dos pensamentos dos jovens h um sculo era bem menor do que a atual, e por isso o modelo de educao do passado, 
embora no fosse ideal, funcionava.

        Precisamos de um novo modelo de educao. No final do livro comentarei dez tcnicas para produzirmos uma educao excelente, capaz de eliminar os efeitos 
negativos da SPA.

        Em minhas conferncias, freqentemente pergunto aos professores com mais de dez anos em sala de aula se eles percebem que os alunos atuais esto mais agitados 
que os do passado, e a resposta unnime  afirmativa. Precisamos de professores incomuns, que compreendam o anfiteatro da mente humana. De professores comuns o mundo 
est cheio.

        Pensar  excelente, pensar muito  pssimo. Quem pensa muito rouba energia vital do crtex cerebral e sente uma fadiga excessiva, mesmo sem ter feito exerccio 
fsico. Este  um dos sintomas da SPA. Os demais sintomas so sono insuficiente, irritabilidade, sofrimento por antecipao, esquecimento, dficit de concentrao, 
averso  rotina e, s vezes, sintomas psicossomticos, como dor de cabea, dores musculares, taquicardia, gastrite. Por que um dos sintomas  o esquecimento? Porque 
o crebro tem mais juzo do que ns e bloqueia a memria para pensarmos menos e gastarmos menos energia.

        Muitos cientistas no percebem que a SPA  a principal causa da crise na educao mundial. Ela  coletiva, atinge grande parte da populao adulta e infantil. 
Os adultos mais responsveis apresentam uma SPA mais forte e, por isso, ficam mais estressados. Por qu? Porque tm um trabalho intelectual mais intenso, pensam 
mais, so mais preocupados. 

        A SPA dos alunos faz com que as teorias educacionais e psicolgicas do passado quase no funcionem, porque, enquanto os professores falam, os alunos esto 
agitados, inquietos, sem concentrao e, ainda por cima, viajando nos seus pensamentos. Os professores esto presentes na sala de aula e os alunos esto em outro 
mundo.

        
As causas da SPA

        A sndrome SPA gera uma hiperatividade de origem no - gentica. Desde os primrdios da humanidade sempre existiu a hiperatividade gentica, caracterizada 
por uma ansiedade psicomotora, inquietao e agitao do pensamento de fundo metablico. Por isso, algumas pessoas sempre foram hoje h uma hiperatividade funcional 
no - gentica - a SPA.

        Quais so as causas da SPA? A primeira, como disse,  o excesso de estmulo visual e sonoro produzido pela TV, e que atinge frontalmente o territrio da 
emoo. Notem que no estou falando da qualidade do contedo da TV, mas do excesso de estmulos, sejam eles bons ou pssimos. A segunda  o excesso de informaes. 
Em terceiro lugar, a parania do consumo e da esttica, que dificulta a interiorizao.

        Todas essas causas excitam a construo de pensamentos e geram uma psicoadaptao aos estmulos da rotina diria, ou seja, uma perda do prazer pelas pequenas 
coisas do dia - a - dia. Os portadores da SPA esto sempre inquietos, tentando garimpar algum estimulo que os alivie.

        Com respeito ao excesso de informao,  fundamental saber que uma criana de sete anos de idade da atualidade tem mais informaes na memria do que um 
ser humano de setenta, h um ou dois sculos. Essa avalanche de informaes excita de maneira inadequada os quatro grandes fenmenos que lem a memria e constroem 
cadeias de pensamentos. Quem tem SPA no consegue gerenciar os pensamentos plenamente, no consegue tranqilizar sua mente.

        O maior vilo da qualidade de vida do homem moderno no  o seu trabalho, nem a competio, a carga horria excessiva ou as presses sociais, mas o excesso 
de pensamentos. A SPA compromete a sade psquica de trs formas: ruminando o passado e desenvolvendo sentimento de culpa, produzindo preocupaes sobre problemas 
existenciais e sofrendo por antecipao.

        No basta ser eloqente. Para ser um professor fascinante  preciso conhecer a alma humana para descobrir ferramentas pedaggicas capazes de transformar 
a sala de casa e a sala de aula num osis, e no numa fonte de estresse.  uma questo de sobrevivncia, pois, caso contrrio, alunos e professores no tero qualidade 
de vida. E isso j est acontecendo. Vejamos como.


Destruram a qualidade de vida do professor


        Uma revelao chocante. Na Espanha, 80% doa professores esto estressados. Na Inglaterra, o governo est tendo dificuldade de formar professores, principalmente 
de ensino fundamental e mdio, porque poucos querem esta profisso. Nos demais pases, a situao  igualmente critica.

        De acordo com pesquisas do Instituto Academia de Inteligncia, no Brasil, 92% dos professores esto com trs ou mais sintomas de estresse e 41% com dez ou 
mais.  um nmero altssimo, indicando que quase a metade dos professores no deveria estar em sala de aula, mas internada numa clinica antiestresse. Compare com 
este outro nmero: na populao de So Paulo, dramaticamente estressada, 22,9% esto com dez ou mais sintomas.

        Os nmeros gritam. Eles indicam que os professores esto quase duas vezes mais estressados do que a populao de So Paulo, que  uma das maiores e mais 
estressantes cidades do mundo. Creio que a situao em qualquer nao desenvolvida  a mesma. Os sintomas que mais se destacam so os ligados  sndrome do pensamento 
acelerado.

        Que tipo de batalha estamos travando para que nossos nobres soldados que se encontram no front - os professores - estejam adoecendo coletivamente? Que tipo 
de educao  esta que estamos construindo e que vem eliminando a boa qualidade de vida de nossos queridos mestres? Damos valor ao mercado de petrleo, de carros, 
de computadores, mas no percebemos que o mercado da inteligncia est falindo.

        No apenas os salrios e a dignidade dos professores precisam ser resgatados, mas tambm a sua sade. Professores e alunos esto coletivamente com a sndrome 
SPA.

        Um pedido aos professores fascinantes: por favor, tenham pacincia com seus alunos. Eles no tm culpa dessa agressividade, alienao e agitao em sala 
de aula. Eles so vtimas. Detrs dos piores alunos, h um mundo a ser descoberto e explorado.

        H uma esperana no caos. Precisamos construir a escola dos nossos sonhos. Aguarde!


2 - Bons professores possuem metodologia, professores fascinantes possuem sensibilidade


        Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: auto - estima, estabilidade, tranqilidade, capacidade de contemplao do belo, de perdoar, 
de fazer amigos, de socializar.

        Bons professores falam com a voz, professores fascinantes falam com os olhos. Bons professores so didticos, professores fascinantes vo alm. Possuem sensibilidade 
para falar ao corao dos seus alunos.

        Seja um professor fascinante. Fale com uma voz que expresse emoo. Mude de tonalidade enquanto fala. Assim, voc cativar a emoo, estimular a concentrao 
e aliviar a SPA dos seus alunos. Eles desaceleraro seus pensamentos e viajaro no mundo das suas idias. Um fascinante professor de matemtica, qumica ou lnguas 
 algum capaz de conduzir seus alunos numa viagem sem sair do lugar. Toda vez que dou uma conferncia, procuro fazer com que meus ouvintes viajem, reflitam sobre 
a vida, caminhem dentro de si mesmos, saiam do lugar - comum.

        Um professor fascinante  mestre da sensibilidade. Ele sabe proteger a emoo nos focos te tenso. O que significa isso? Significa no deixar que a agressividade 
e as atitudes impensadas dos seus alunos roubem sua tranqilidade. Entende que os fracos excluem, os fortes acolhem, os fracos condenam, os fortes compreendem. Ele 
procura acolher seus alunos e compreend - los, mesmo os mais difceis.

        Enxergue o mundo com os olhos de uma guia. Veja por vrios ngulos a educao. Entenda que somos criadores e vtimas do sistema social que valoriza o te 
re no o ser, a esttica e no o contedo, o consumo e no as idias. No que depender de ns, devemos dar a nossa parcela de contribuio para gerar uma humanidade 
mais saudvel.

        No esquea que voc no  apenas um pilar da escola clssica, mas um pilar da escola da vida. Tenha conscincia de que os computadores podem gerar gigantes 
na cincia, mas crianas na maturidade.

        Os educadores, apesar das suas dificuldades, so insubstituveis, porque a gentileza, a solidariedade, a tolerncia, a incluso, os sentimentos altrustas, 
enfim, todas as reas da sensibilidade no podem ser ensinadas por mquinas, e sim por seres humanos.


3 - Bons professores educam a inteligncia lgica, professores fascinantes educam a emoo.


Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver:segurana, tolerncia, solidariedade, perseverana, proteo contra os estmulos estressantes, 
inteligncia emocional e interpessoal.


        Bons professores ensinam seus alunos a explorar o mundo em que esto, do imenso espao ao pequeno tomo. Professores fascinantes ensinam os alunos a explorar 
o mundo que so, o seu prprio ser. Sua educao segue as notas da emoo.

        Os professores fascinantes sabem que trabalhar com a emoo  mais complexo que trabalhar com os mais intricados clculos da fsica e da matemtica. A emoo 
pode transformar ricos em pauprrimos, intelectuais em crianas, poderosos em frgeis seres.

        Eduque a emoo com inteligncia. E o que  educar a emoo?  estimular o aluno a pensar antes de reagir, a no ter medo do medo, a ser lder de si mesmo, 
autor da sua historia, a saber filtrar os estmulos estressantes e a trabalhar no apenas com fatos lgicos e problemas concretos, mas tambm com as contradies 
da vida.

        Educar a emoo tambm  se doar sem esperar retorno, ser fiel  sua conscincia, extrair prazer dos pequenos estmulos da existncia, saber perder, correr 
riscos para transformar os sonhos em realidade, ter coragem para andar por lugares desconhecidos. Quem teve o privilgio de educar a emoo em sua juventude?

        Infelizmente, mergulhamos na sociedade sem qualquer preparo para viver. Somos vacinados desde a infncia contra uma srie de vrus e bactrias, mas no recebemos 
nenhuma vacina contra as decepes, frustraes e rejeies. Quantas lgrimas, doenas psquicas, crises no relacionamento e at suicdios poderiam ser evitados 
coma educao da emoo?

        Sem a educao da emoo podemos gerar pelo menos trs resultados. Alguns se tornam insensveis, tm traos de uma personalidade psicopata. Eles possuem 
uma emoo insensvel, e por isso ofendem e machucam os outros, mas no sentem a dor deles, no pensam nas conseqncias dos seus comportamentos.

        Outros, ao contrrio, se tornam hipersensveis. Vivem intensamente a dor dos outros, se doam sem limites, se preocupam demais com a critica alheia, no tem 
proteo emocional. Uma ofensa estraga o dia, o ms e at a vida. As pessoas hipersensveis costumam ser excelentes para os outros, mas pssimas para si mesmas.

        Outros, ainda, so alienados, no ferem os outros, mas no pensam no futuro, no tm sonhos, metas, deixam a vida lev-los, vivem um conformismo doentio.

        As escolas no esto conseguindo educar a emoo. Elas esto gerando jovens insensveis, hipersensveis ou alienados. Precisamos formar jovens que tenham 
uma emoo rica, protegida e integrada.


4 - Bons professores usam a memria como depsito de informaes, professores fascinantes usam-na como suporte da arte de pensar.


       Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: pensar antes de reagir, expor e no impor as idias, conscincia crtica, capacidade de 
debater, de questionar, de trabalhar em equipe.


        Bons professores usam a memria como armazm de informaes, professores fascinantes usam a memria como suporte da criatividade. Bons professores cumprem 
o contedo programtico das aulas, professores fascinantes tambm cumprem o contedo programtico, mas seu objetivo fundamental  ensinar os alunos a serem pensadores 
e no repetidores de informaes.

        A educao clssica transformou a memria humana num banco de dados. A memria no tem essa funo. Como disse, grande parte das informaes que recebemos 
nunca ser recordada. Ocupamos um espao precioso da memria com informaes pouco teis e at inteis.

        Os professores e os psiclogos juram que existe lembrana, mas, como j dissemos, este  um dos grandes pilares falsos em que se apiam a psicologia e as 
cincias da educao. No existe lembrana pura do passado, mas reconstruo do passado com micro ou macrodiferenas.

        Quantos pensamentos ns produzimos ontem? Milhares! De quantos conseguimos nos lembrar coma cadeia exata de verbos, substantivos, adjetivos? Talvez de nenhum. 
No entanto, se procurarmos recordar as pessoas, os ambientes e as circunstncias com os quais nos relacionamos, reconstruiremos milhares de outros pensamentos, no 
exatamente os mesmos que pensamos ontem.

        Conclumos que o objetivo da memria no  dar suporte para a lembrana, mas para a reconstruo criativa do passado. S existe lembrana pura das informaes 
destitudas de experincias sociais e emocionais, ou seja, das informaes lgicas, como os nmeros. Mesmo assim, o resgate dessas lembranas envolve emoes sutis 
subjacentes. Por isso, em alguns momentos, temos maior ou menor habilidade para resolver clculos matemticos.

        A memria clama para que o ser humano seja criativo, mas a educao clssica clama para que ele seja repetitivo. A memria no  um bando de dados nem nossa 
capacidade de pensar  uma mquina de repetir informaes, como as pobres mquinas dos computadores.

        A memria dos computadores  escrava de estmulos programados. A memria humana pe um canteiro de informaes e experincias pra que cada um de ns produza 
um fantstico mundo de idias.

        Um membro da tribo africana tem o mesmo potencial intelectual de um cientista de Harvard. Muitos consideram que Einstein foi o maior crebro do sculo XX. 
Mas, como um dos raros cientistas que produziu conhecimento sobre o processo de construo de pensamento, tenho convico de um membro das tribos indgenas do Amazonas 
tem o mesmo potencial intelectual de Einstein.

        Todos possumos um corpo de fenmenos que, em milsimos de segundos, l os campos da memria e produz o espetculo dos pensamentos. S no produzimos grandes 
idias, pensamentos inusitados, criaes surpreendentes porque engessamos a arte de pensar.

        Durante os dois primeiros anos do ensino mdio, eu tinha apenas dois cadernos e quase nada estava escrito neles. Era difcil me adaptar a uma educao que 
no provocava minha inteligncia. Alguns, naquela poca, vendo meu aparente desinteresse, achavam que  eu no seria nada na vida. Mas, dentro de mim, havia uma exploso 
de idias. Pensar era uma aventura que me encantava.

        Hoje tenho mais de cinco mil pginas escritas, e a minoria est publicada. Meus livros so estudados por cientistas e lidos por centenas de milhares de pessoas 
em todo o mundo. No entanto, estou convicto de que no tenho uma inteligncia privilegiada. Todos temos uma mente especial. Aonde chegamos depende do quanto libertamos 
a arte de pensar.


Abrindo as janelas da inteligncia.


        As provas escolares que estimulam os alunos a repetir informaes, alm de pouco teis, so freqentemente prejudiciais, pois engessam a inteligncia. As 
provas deveriam ser abertas, promover a criatividade, estimular o desenvolvimento do livre pensamento, cultivar o raciocnio esquemtico, expandir a capacidade de 
argumentao dos alunos. Os testes e as perguntas fechadas deveriam ser evitados ou pouco usados como provas escolares.

        Nas provas deveria ser valorizado qualquer raciocnio esquemtico, qualquer idia organizada, mesmo que estivessem completamente errados em relao  matria 
dada.  possvel dar nota mxima para um raciocnio brilhante baseado em dados errados. Isso valoriza pensadores. A exigncia de detalhes s deveria ser solicitada 
aos especialistas na universidade e no no ensino fundamental e mdio.

        Em meu livro Revolucione Sua Qualidade de Vida, falo sobre a memria de uso contnuo ou memria consciente - MUC - e a memria existencial ou inconsciente 
- ME. A grande maioria das informaes, talvez mais de 90%, que registramos na MUC nunca ser recordada. Elas vo para a periferia da memria, para a ME, e sero 
reeditadas (substitudas) ou transferidas para arquivos pouco acessados nos pores do inconsciente.

        As informaes mais teis so aquelas transformadas em conhecimento e que, por sua vez, so transformadas em experincias na MUC. Quando tratar da escola 
dos nossos sonhos, indicarei ferramentas para estimular a arte de pensar.

        No passado, o conhecimento dobrava em dois ou trs sculos. Atualmente, o conhecimento dobra a cada cinco anos. No entanto, onde esto os pensadores? Estamos 
assistindo ao fim dos pensadores nas escolas, nas universidades e at nos cursos de ps - graduao. Multiplicamos o conhecimento, mas no os homens que pensam.

        Os alunos que vo mal nas provas, hoje, podero se tornar excelentes cientistas, executivos e profissionais no futuro. Basta que os estimulemos. Estimule 
seus alunos a abrir as janelas da mente, a ter ousadia para pensar, questionar, debater, romper paradigmas.

        Este  um excelente hbito. Professores fascinantes formam pensadores que so autores da sua histria.


5 - Bons professores so mestres temporrios, professores fascinantes so mestres inesquecveis.


       Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: sabedoria, sensibilidade, afetividade, serenidade, amor pela vida, capacidade de falar 
ao corao, de influenciar pessoas.
       
       
       Um bom professor  lembrado nos tempos de escola. Um professor fascinante  um mestre inesquecvel. Um bom professor procura os alunos, um professor fascinante 
 procurado por eles. Um bom professor  admirado, um professor fascinante  amado. Um bom professor se preocupa com as notas de seus alunos, um professor fascinante 
se preocupa em transform - los  em engenheiros de idias.
       
       Ser um mestre inesquecvel  formar seres humanos que faro diferena no mundo. Suas lies de vida marcam para sempre os solos conscientes dos seus alunos. 
O tempo pode passar e as dificuldades podem surgir, mas as sementes de um professor fascinante jamais sero destrudas.
       
       Tenho investigado a vida de grandes pensadores como Confcio, Buda, Plato, Freud, Einstein. Todos eles foram mestres inesquecveis, porque estimularam seu 
ntimo a velejar para dentro de si mesmos. Na coleo de livros Anlise da Inteligncia de Cristo (Cury, 2000),tive a oportunidade de investigar os pensamentos de 
Jesus Cristo, bem como sua capacidade de proteger a emoo, e sua habilidade de trabalhar nos solos da inteligncia dos seus discpulos.
       
       Apesar das minhas limitaes, fiz uma anlise psicolgica e no teolgica da sua personalidade. Os resultados foram extraordinrios. Talvez,  pela primeira 
vez, texto referentes a Jesus Cristo tenham sido adotados em faculdades de psicologia, pedagogia e direito.
       
       Aparentemente, ele morreu como o mais derrotado dos homens, pois o mais forte dos seus discpulos o negou e os demais abandonaram. Mas ningum  derrotado 
quando suas sementes so enterradas. As sementes que ele plantou nos solos da memria dos seus discpulos inspiraram a inteligncia, libertaram a emoo, romperam 
o crcere do medo, fizeram dos jovens galileus, to desesperados para a vida, uma casta de finos pensadores.
       
       A concluso a que eu cheguei  que Jesus Cristo se tornou o mestre inesquecvel no por atos sobrenaturais, mas porque arejou o anfiteatro da mente humana 
com habilidade mpar. Nunca algum to grande se fez to pequeno para tornar grandes os pequenos. Independentemente da religio, os que amam a educao devem estud 
- lo.
       
       Excelentes escolas tm gerado alunos com problemas. No passado, as escolas da periferia no conseguiam ajudar seus "alunos-problemas". Hoje, boas escolas 
que usam teorias respeitveis, como a do construtivismo e das inteligncias mltiplas, tm sido incapazes de formar coletivamente jovens sbios e lcidos.
       
       Seja um mestre fascinante. Inspire a inteligncia  dos seus alunos, leve-os a enfrentar seus desafios e no apenas a ter cultura informativa. Estimule-os 
a gerenciar seus pensamentos e a ter um caso de amor com a vida.
       
       No se cale sobre a sai histria, transmita suas experincias de vida. As informaes so arquivadas na memria, as experincias so cravadas no corao.
       
       
       6 - Bons professores corrigem comportamentos, professores fascinantes resolvem conflitos em sala de aula.
       
       
       Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: superao da ansiedade, resoluo de crises interpessoais, socializao, proteo emocional, 
resgate da liderana do eu nos focos de tenso.
       
       
       Bons professores corrigem os comportamentos agressivos dos alunos. Professores fascinantes resolvem conflitos em sala de aula. Entre corrigir comportamentos 
e resolver conflitos em sala de aula h uma distncia maior do que imagina a nossa nobre educao.
       
       Resolver conflitos em sala de aula  um tema novo em muitos pases. S agora alguns pases europeus e os Estados Unidos esto despertando para isso. J faz 
algum tempo que tenho comentado em congressos que os pais e professores precisam se equipar para resolver conflitos entre seus filhos e alunos.
       
       Em primeiro lugar,  preciso conhecer, como comentei, a sndrome SPA. Em segundo, os professores necessitam proteger sua emoo diante do calor dos conflitos 
dos alunos, caso contrrio um atrito poder desgast-los profundamente. Neste caso, a escola se tornar um deserto e os professores contaro nos dedos os dias que 
faltam para a aposentadoria. 
       
       Em terceiro lugar, diante de qualquer atrito, ofensa ou crise entre os alunos ou dos alunos com o professor, a melhor resposta  no dar resposta alguma. 
Nos primeiros trinta segundos em que estamos tensos, cometemos nossos piores erros, nossas piores atrocidades. No calor da tenso, seja amigo do silncio, respire 
fundo.
       
       Por que usar a ferramenta do silncio? Porque emoo tensa fecha o territrio de leitura da memria, obstruindo a construo de cadeias de pensamentos. Deste 
modo, reagimos por instinto, como os animais, e no com a inteligncia.
       
       Em quarto lugar, procure no dar lio de moral em quem foi agressivo. Este procedimento  usado desde a Idade da Pedra, e no  eficaz, no gera um momento 
educacional, pois a emoo do agressor est tensa, e sua inteligncia, obstruda.
       
       O que fazer? Usar a ferramenta que j comentei quando falei sobre os pais. Encante sua classe com gestos inesperados. Surpreenda seus alunos. Assim voc ir 
resolver conflitos em sala de aula. Como? Leve-os a pensar, a mergulhar dentro de si mesmos, a se confrontar consigo mesmos. No  uma tarefa fcil, mas  possvel. 
Vejamos como.
       
       
       Um tapa com luva de pelica direto no corao
       
       
       Certa vez, alguns alunos conversavam no fundo da sala. A professora de lnguas pediu silncio, mas eles continuaram. Ela foi mais enftica, chamou a ateno 
de um aluno que falava alto. Ele foi mais agressivo com ela. Gritou: "Voc no manda em mim! Eu pago para voc trabalhar!" O clima ficou tenso.
       
       Todos pensaram que a professora gritasse com o aluno, ou o expulsasse da classe. Em vez disso, ela ficou em silncio, relaxou, diminuiu sua tenso e libertou 
sua imaginao. Em seguida, contou-lhes uma histria que aparentemente no tinha nada a ver com o clima da agressividade.
       
       Contou a histrias das crianas e dos adolescentes judeus que foram presos nos campos de concentrao nazista e perderam todos os seus direitos. No podiam 
ir s escolas, brincar nas ruas, visitar os amigos, dormir numa cama quentinha e se alimentar com dignidade. O alimento era estragado, e eles dormiam como se fossem 
objetos amontoados num depsito. O que era pior, no podiam abraar seus pais. O mundo desabou sobre eles.
       
       Eles choravam e ningum os consolava. Tinham fome e ningum os saciava. Gritavam pelos pais, mas ningum os ouvia. Na frente deles apenas havia ces, guardas 
e cercas de arame farpado. A professora contou o que foi um dos maiores crimes j cometidos na nossa histria. Roubaram os direitos humanos e a vida desses jovens. 
Mais de um milho de crianas e adolescentes morreram.
       
       Depois de contar essa histria, a professora no precisou falar muito. Olhou para a classe e disse: "Vocs tm escola, amigos, professores que os amam, o 
carinho dos seus pais, um alimento gostoso na sua ms, mas ser que vocs os valorizam?" Ela resolveu conflitos em sala de aula levando-os a se colocar no lugar 
dos outros e a pensar na grandeza dos direitos humanos.
       
       Ela no precisou chamar a ateno do aluno que a ofendera. Sabia que no adiantaria corrigir seu comportamento, e queria lev-lo a ser um pensador. Ele ficou 
em completo silncio. Voltou para casa e nunca mais foi o mesmo, pois compreendeu que tinha muitas coisas belas que no valorizava.
       
       Pais e professores esto perdidos no mundo das suas salas. Os professores esto confusos dentro da sala de aula. Os pais esto sem direo dentro de sala 
de casa. No podemos aceitar que o lugar em que os jovens menos aprendam experincias de vida seja dentro desses dois ambientes.
       
       Aprendam a dar tapas com luva de pelica no corao emocional de quem vocs amam. Precisamos acordar nossas crianas e nossos jovens para a vida. O afeto e 
a inteligncia curam as feridas da alma, reescrevem as pginas fechadas do inconsciente.
       
       
       7 - Bons professores educam para uma profisso, professores fascinantes educam para a vida.
       
       
       Este hbito dos professores fascinantes contribui para desenvolver: solidariedade, superao de conflitos psquicos e sociais, esprito empreendedor, capacidade 
de perdoar, de filtrar estmulos estressantes, de escolher, de questionar, de estabelecer metas.
       
       
       Um bom professor educa seus alunos para uma profisso, um professor fascinante os educa para a vida. Professores fascinantes so profissionais revolucionrios. 
Ningum sabe avaliar o seu poder, nem eles mesmos. Eles mudam paradigmas, transformam o destino de um povo e um sistema social sem armas, to-somente por prepararem 
seus alunos para a vida atravs do espetculo das suas idias.
       
       Os mestres fascinantes podem ser desprezados e ameaados, mas sua fora  imbatvel. So incendirios que inflamam a sociedade com o calor da sua inteligncia, 
compaixo e singeleza. So fascinantes porque so livres, so livres porque pensam, pensam porque amam solenemente a vida.
       
       Seus alunos adquirem um bem extraordinrio: conscincia crtica. Por isso, no so manipulados, controlados, chantageados. Num mundo de incertezas, eles sabem 
o que querem. 
       
       Os professores fascinantes so promotores de auto-estima. Do uma ateno especial aos alunos desprezados, tmidos e que recebem apelidos pejorativos. Sabem 
que eles podem ser encarcerados por seus traumas. Por isso, como poetas da vida, estendem a sua mo e mostram-lhe sua capacidade interior. Estimulam-nos a usar a 
dor como adubo para seu crescimento. Deste modo, eles o preparam para sobreviver nas tormentas sociais.
       
       
       Formando empreendedores
       
       
       Os professores fascinantes objetivam que seus alunos sejam lderes de si mesmos. Proclamam de diversas formas em sala de aula aos seus alunos: "Que vocs 
sejam grandes empreendedores. Se empreendem, no tenham medo de falhar. Se falharem, no tenham medo de chorar. Se chorarem, repensem a sua vida, mas no desistam. 
Dem sempre uma nova chance a si mesmos."
       
       Quando as dificuldades abatem seus alunos, quando a economia do pas est em crise ou os problemas sociais se avolumam, eles novamente proclamam: " Os perdedores 
vem os raios. Os vencedores vem a chuva, e com ela a oportunidade de cultivar. Os perdedores paralisam-se diante de suas perdas e frustraes. Os vencedores vem 
a oportunidade de mudar tudo de novo. Nunca desista dos seus sonhos."
       
       Prepare seus alunos para explorarem o desconhecido, para no terem medo de falhar, mas medo de no tentar. Ensine-os a conquistar experincias originais, 
atravs da observao de pequenas mudanas e da correo de grandes rotas. Novos estmulos estabelecem uma relao com a estrutura cognitiva prvia, gerando novas 
experincias (Piaget, 1996). Novas experincias propiciam um crescimento intelectual.
       
       Leve os jovens a ter flexibilidade no trabalho e na vida, pois s no muda de idia quem no  capaz de produzi-la. Leve-os a extrair de cada lgrima uma 
lio de vida.

       Se no reconstruirmos a educao, as sociedades modernas se tornaro um grande hospital psiquitrico. As estatsticas esto demonstrando que o normal  ser
estressado, e o anormal  ser saudvel.




Parte 3 - Os sete pecados capitais dos educadores

Todos erram: a maioria usa os erros para se destruir; a minoria, para se construir. Estes so os sbios.


1 - Corrigir publicamente:


Corrigir publicamente uma pessoa  o primeiro pecado capital da educao. Um educador jamais deveria expor o defeito de uma pessoa, por pior que ele seja, diante 
dos outros. A exposio pblica produz humilhao e traumas complexos difceis de serem superados. Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro 
da pessoa.

Os pais ou os professores s devem intervir publicamente quando um jovem ofendeu ou feriu algum em pblico. Mesmo assim, devem agir com prudncia para no colocar 
mais lenha no calor das tenses.

Havia uma adolescente de doze anos, esperta, inteligente, socivel, que estava um pouco obesa. Aparentemente ela no tinha problema com a obesidade. Era uma boa 
aluna, participativa e respeitada entre seus colegas.

Certa vez, sua vida sofreu uma grande guinada. Ela foi mal numa prova. Procurou a professora e questionou sua nota. A professora, que estava irritada por outros 
motivos, desferiu-lhe um golpe mortal que modificou para sempre a sua vida, chamando-lhe de "gordinha pouco inteligente" na frente dos colegas.

Corrigir algum publicamente j  grave, humilhar  dramtico. Os colegas debocharam da jovem. Ela sentiu-se diminuda, inferiorizada, e chorou. Viveu uma experincia 
com alto volume de tenso que foi registrada privilegiadamente no centro da memria, na memria de uso contnuo (MUC).

Se considerarmos a memria como uma grande cidade, o trauma original produzido pela humilhao da professora foi como uma casa de favela edificada num belo bairro. 
A jovem leu continuamente o arquivo que continha esse trauma e produziu milhares de pensamentos e reaes emocionais de contedo negativo, que foram registrados 
novamente, expandindo a estrutura do trauma. Deste modo, uma "casa de favela" na memria pode contagiar um arquivo inteiro.

Portanto, no  o trauma original que se torna o grande vilo da sade psquica, como Freud pensava, mas a realimentao dele. Cada gesto hostil das outras pessoas 
era relacionado pela adolescente com seu trauma. Com o decorrer do tempo, ela produziu milhares de casas de favelas. Onde havia um belo bairro no inconsciente foi 
se criando um terreno desolado.

Os adolescentes devem se sentir bonitos, mesmo que sejam obesos, portadores de um defeito fsico, ou se seu corpo no preenche os padres de beleza transmitidos 
pela mdia. Beleza est nos olhos de que v.

Mas, infelizmente, a mdia massacrou os jovens definindo o que  beleza no inconsciente deles. Cada imagem dos modelos nas capas das revistas, nos comerciais e nos 
programas de TV  registrada da memria, formando matrizes que discriminam quem est fora do padro. Este processo aprisiona os jovens, mesmo os mais saudveis. 
Quando esto diante do espelho, o que  que eles observam? Suas qualidades ou seus defeitos? Freqentemente, seus defeitos. A mdia aparentemente to inofensiva 
discrimina os jovens da mesma maneira como os negros foram e ainda so discriminados.

Gostaria que vocs no se esquecessem de que  atravs desse processo que uma rejeio vira um monstro, um educador tenso vira um carrasco, um elevador vira um cubculo 
sem ar, em vexame pblico paralisa a inteligncia e gera o medo de expor as idias.

A adolescente de nossa histria comeou cada vez mais a obstruir sua memria pela baixa auto-estima e sentimento de  incapacidade. Deixou de tirar notas boas. Cristalizou 
uma mentira: que no era inteligente. Teve vrias crises depressivas. Perdeu o encanto pela vida. Com dezoito anos, tentou o suicdio.

Felizmente, no morreu. Procurou tratamento e conseguiu superar o trauma. Essa jovem no queria matar a vida. No fundo, como toda pessoa depressiva, ela tinha fome 
e sede de viver. O que ela queria era destruir sua dramtica dor, desespero e sentimento de inferioridade.

Chamar a ateno ou apontar um pblico um erro ou defeito de jovens e adultos pode gerar um trauma inesquecvel que os controlar durante toda a vida. Ainda que 
os jovens os decepcionem, no os humilhem. Ainda que eles meream uma grande bronca, procurem cham-los em particular e corrigi-los. Mas, principalmente, estimulem 
os jovens a refletir. Quem estimula a reflexo  um arteso da sabedoria.


2 - Expressar autoridade com agressividade


Certo dia, descontente com a reao agressiva do seu pai, um filho levantou a voz para ele. Disse-lhe que nunca deveria falar com ele daquele modo. Aos gritos, afirmou 
que quem mandava naquela casa era ele, que era ele que o sustentava. O pai imps sua autoridade com violncia. Ganhou o temor do filho, mas perdeu para sempre o 
seu amor.

Muitos pais agridem e criticam um ao outro na frente dos filhos. Quando estivermos ansiosos e sem condies de conversar, a melhor coisa  sair de cena. V para 
o quarto e faa outra coisa, at conseguir abrir as janelas da memria e tratar com inteligncia assuntos polmicos.

Todavia, no h casais perfeitos. Todos cometemos excessos na frente dos filhos, todos ficamos estressados. A pessoa mais calma tem seus momentos de ansiedade e 
irracionalidade. Portanto, embora desejvel, no  possvel evitar todos os atritos na frente dos filhos. O importante  o destino que damos aos nossos erros.

O mesmo princpio serve para os professores. Quando dermos um espetculo agressivo na frente das crianas, devemos pedir desculpas no apenas para o nosso cnjuge, 
mas tambm para os filhos, pela manifestao de intolerncia a que assistiram. Se temos coragem para errar, devemos ter coragem para refazer nosso erro.

Uma pessoa autoritria nem sempre  bruta e agressiva. s vezes sua violncia est disfarada numa delicada imutabilidade teimosia. Ningum muda sua opinio. Se 
insistirmos em manter nossa autoridade a qualquer custo, estaremos cometendo um pecado capital na educao dos nossos filhos. Nosso autoritarismo controlar a inteligncia 
deles.

Nossos filhos podero reproduzir nossas reaes no futuro. Alis, observe que costumamos reproduzir os comportamentos dos nossos pais que mais condenamos em nossa 
infncia. O registro silencioso no-trabalhado cria moldes no secreto da nossa responsabilidade.

Alguns filhos, quando esto irritados, apontam os erros dos seus pais e os provocam. Quantos pais perdem o amor dos seus filhos porque no sabem dialogar com eles 
quando so desafiados! Tm medo de que o dilogo lhes roube a autoridade. No conseguem serem questionados. Alguns pais odeiam quando seus filhos comentam sobre 
suas falhas. Eles parecem intocveis. Reagem com violncia. Impem uma autoridade que sufoca a lucidez dos filhos. Esto formando pessoas que tambm reagiro com 
violncia.

Os pais que impem sua autoridade so aqueles que tm receio das prprias fragilidades. Os limites devem ser colocados, mas no impostos. Alguns limites, como comentei, 
so inegociveis, porque comprometem a sade e a segurana dos filhos, mas mesmo nestes casos deve-se fazer uma mesa-redonda com os filhos e dialogar sobre os motivos 
desses limites.

Nesses vinte anos atendendo inmeros pacientes, descobri que certos pais eram super amados pelos seus filhos. Eles no os espancaram, no eram autoritrios, no 
deram bens materiais a eles e nem tinham privilgios sociais. Qual foi o seu segredo? Eles se deram aos filhos, educaram a emoo dos filhos, cruzaram seu mundo 
com o mundo deles. Viveram naturalmente, sem mesmo conhecer os princpios que comentei sobre os pais brilhantes.

O dilogo  uma ferramenta educacional insubstituvel. Deve haver autoridade na relao pai-filho e professor-aluno, mas a verdadeira autoridade  conquistada com 
inteligncia e amor. Pais que beijam, elogiam e estimulam seus filhos desde pequenos a pensar no correm o risco de perd-los e de perder o respeito deles.

No devemos ter medo de perder nossa autoridade, devemos ter medo de perder nossos filhos.


3 - Ser excessivamente crtico: obstruir a infncia da criana.


Havia um pai preocupadssimo com o futuro do seu filho. Queria que ele fosse tico, srio e responsvel. A criana no podia cometer erros, nem excessos. No podia 
brincar, se sujar e fazer peripcias como toda criana. Tinha muitos brinquedos, mas eles ficavam guardados, porque o pai, com o aval da me, no admitia baguna.

Cada falha, nota ruim ou atitude insensata do filho eram criticadas imediatamente pelo pai. No era apenas uma crtica, mas uma seqncia de crticas e, s vezes, 
na frente dos amigos do filho. Sua crtica era obsessiva e insuportvel. No bastasse isso, querendo pressionar o filho para que ele se corrigisse, o pai comparava 
o seu comportamento com o dos outros jovens. O menino se sentia o mais desprezado dos seres. Pensou em at desistir da vida, por achar que no era amado por seus 
pais.

O resultado? O filho cresceu e se tornou um bom homem. Errava pouco, era srio, tico, mas infeliz, tmido e frgil. Entre ele e seus pais havia um abismo. Por qu? 
Porque no havia a mgica da alegria e da espontaneidade entre eles. Era uma famlia exemplar, mas triste e sem sabor. O filho no apenas se tornou tmido, mas frustrado. 
Tinha pavor da crtica dos outros. Tinha medo de errar, por isso enterrava seus sonhos, no queria correr riscos.

Desejando acertar, o pai cometeu alguns pecados capitais da educao. Imps autoridade, humilhou seu filho em pblico, criticou-o excessivamente e obstruiu sua infncia. 
Este pai estava preparado para consertar computadores, e no para educar um ser humano. Cada um desses pecados capitais  universal, pois so um problema tanto numa 
sociedade moderna quanto numa tribo primitiva.

No critique excessivamente. No compare seu filho com seus colegas. Cada jovem  um ser nico no teatro da vida. A comparao s  educativa quando  estimulante 
e no depreciativa. D aos seus filhos liberdade para ter as suas prprias experincias, ainda que isso inclua certos riscos, fracassos, atitudes tolas e sofrimentos. 
Caso contrrio, eles no encontraro os seus caminhos.

A pior maneira de preparar os jovens para a vida pe coloc-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer. Estufas so boas para as plantas, mas para a inteligncia 
humana so sufocantes.

O Mestre dos mestres tem lies importantssimas para nos dar nessa rea. Suas atitudes educacionais encantam os mais lcidos cientistas. Ele disse certa vz que 
Pedro o negaria. Pedro discordou veementemente. Jesus poderia critic-lo, apontar seus defeitos, acusar sua fragilidade. Mas qual foi sua atitude? Nenhuma.

Ele no fez nada para mudar as idias do amigo. Deixou o jovem apstolo Pedro ter suas experincias. O resultado? Pedro errou drasticamente, derramou lgrimas incontidas, 
ms aprendeu lies inesquecveis. Se no tivesse errado e reconhecido sua fragilidade, talvez jamais amadurecesse e se tornasse quem foi. Mas, como falhou, aprendeu 
a tolerar, a perdoar, a incluir.

Estimados educadores, temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas no  possvel ser forte sem 
perceber nossas limitaes.



4 - Punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicaes.


Certa vez, uma menina de oito anos estava passeando num shopping prximo da sua escola com algumas amigas. Ao ver um dinheiro em cima do balco, pegou-o. a balconista 
viu e chamou-a de ladra. Pegando-a pelo brao, levou-a em prantos at os pais.

Os pais ficaram desesperados. Algumas pessoas mais prximas esperavam que eles batessem e punissem a filha. Em vez disso, resolveram me procurar para saber como 
agir. Tinham receio de que a menina desenvolvesse cleptomania e se apropriasse de objetos que no lhe pertenciam.

Orientei os pais a no fazerem um drama com o caso. As crianas sempre cometem erros, e o importante  o que fazer com eles. Minha preocupao era lev-los a conquistar 
sua doce menina e no puni-la. Orientei para que a chamassem em separado e explicassem as conseqncias do seu ato. Em seguida, pedi-lhes que a abraassem, pois 
afinal ela j estava muito chocada com o ocorrido. 

Alm disso, disse que, se eles quisessem transformar o erro num grande momento educacional, deveriam ter reaes inesquecveis. Os pais pensaram e tiveram um gesto 
inusitado. Como o valor era pequeno, deram  filha o dobro do dinheiro furtado e demonstraram eloqentemente que ela era mais importante para eles do que todo o 
dinheiro do mundo. Explicaram-lhe que a honestidade  a dignidade dos fortes.

Essa atitude deixou-a contemplativa. Em vez de serem  arquivados na memria o fato de ser ladra e uma punio agressiva dos pais,foram registrados na memria acolhimento,compreens

o e amor. O drama se transformou num romance. A jovem nunca mais se esqueceu de que, num momento to difcil, seus pais a ensinaram e amaram. Quando fez quinze anos, 
ela abraou seus pais, dizendo que nunca se esquecera daquele momento potico. Todos deram  risadas. No ficou cicatriz.

Um outro caso no teve o mesmo destino. Um pai foi chamado  delegacia porque o segurana vira seu filho furtando um CD numa loja de departamento. O pai sentiu-se 
humilhado. No percebeu a angstia do garoto e o fato de a falha ser uma excelente oportunidade para revelar sua maturidade e sabedoria. Em vez disso, esbofeteou 
o filho na frente dos guardas.

Chegando em casa, o jovem se trancou no quarto. O pai tentou arrombar a porta, porque percebeu que o filho estava tentando se matar. Num ato impensado, desistiu 
da vida, achando-se o ltimo dos seres humanos. O pai daria tudo o que tinha para voltar atrs, jamais pensou que perderia seu filho querido.

Por favor, jamais puna quando estiver irado. Como disse, no somos gigantes, e nos trinta primeiros segundos da raiva somos capazes de ferir as pessoas que mais 
amamos. No se deixe escravizar por sua ira. Quando sentir que no pode control-la, saia de cena, pois caso contrrio, voc reagir sem pensar
.
A punio fsica deve ser evitada. Se algumas palmadas acontecerem, elas devem ser simblicas e acompanhadas de uma explicao. No  a dor das palmadas que ir 
estimular a inteligncia das crianas e dos jovens. A melhor forma de ajud-los  lev-los a repensar suas atitudes, penetrar dentro de si mesmos e aprender a se 
colocar no lugar dos outros.

Praticando essa educao voc estar desenvolvendo as seguintes caractersticas na personalidade dos jovens: liderana, tolerncia, ponderao, segurana nos momentos 
turbulentos.

Se um jovem o magoou, fale dos seus sentimentos com ele. Se necessrio, chore com ele. Se seu filho falhou, discuta as causas da sua falha, d crdito a ele. A maturidade 
de uma pessoa  revelada pela forma inteligente com que ela corrige algum. Podemos ser heris ou carrascos para os jovens.

Jamais coloque limites sem dar explicaes. Este  um dos pecados mais comuns que os educadores cometem, sejam eles pais ou professores. Nos momentos de ira, a emoo 
tensa bloqueia os campos da memria. Perdemos a racionalidade. Pare! Espere a temperatura da sua emoo baixar. Para educar, use primeiro o silncio e depois as 
idias.

A melhor punio  aquela que se negocia. Pergunte aos jovens  o que eles merecem pelos seus erros. Voc se surpreender! Eles refletiro sobre suas atitudes e, 
talvez, daro uma punio mais severa para si mesmos do que voc daria. Confie na inteligncia das crianas e dos adolescentes.

Punir com castigos, privaes e limites s educa se no for em excesso e se estimular a arte de pensar. Caso contrrio, ser intil. A punio s  til quando  
inteligente. A dor pela dor  inumana. Mude seus paradigmas educacionais. Elogie o jovem antes de corrigi-lo ou critic-lo. Diga o quanto ele  importante, antes 
de apontar-lhe o defeito. A conseqncia? Ele acolher melhor suas observaes e o amar para sempre.



5 - Ser impaciente e desistir de educar.



Havia um aluno muito agressivo e inquieto. Ele perturbava a classe e arrumava freqentes confuses. Era insolente, desacatava a todos. Repetia os mesmos erros com 
freqncia. Parecia incorrigvel. Os professores no o suportavam. Cogitaram em expuls-lo.

Antes da expulso, entrou em cena um professor que resolveu investir no aluno. Todos acharam que era perda de tempo. Mesmo no tendo o apoio dos colegas, ele comeou 
a conversar com o jovem nos intervalos. No comeo havia um monlogo, s o professor falava. Aos poucos, ele comeou a envolver o aluno, a brincar e a lev-lo para 
tomar sorvete. Professor e aluno construram uma ponte entre seus mundos. Voc j construiu alguma vez uma ponte como esta com as pessoas difceis?

O professor descobriu que o pai do rapaz era alcolatra e espancava tanto ele com a me. Compreendeu que o jovem, aparentemente insensvel, j tinha chorado muito, 
e agora suas lgrimas estavam secas. Entendeu que sua agressividade era uma reao desesperada de quem estava pedindo ajuda. S que ningum decifrava sua linguagem. 
Seus gritos eram surdos. Era muito mais fcil julg-lo.

A dor da me e a violncia do pai produziram zonas de conflitos na memria do rapaz. Sua agressividade era um eco da agressividade que recebia. Ele no era ru, 
era vtima. Seu mundo emocional no tinha cores. No lhe deram o direito de brincar, sorrir e ver a vida com confiana. Agora, estava perdendo o direito de estudar, 
de ter a nica chance de ser um grande homem. Estava para ser expulso.

Ao tomar conhecimento da situao, o professor comeou a conquist-lo. O jovem sentiu-se querido, apoiado e valorizado. O professor comeou a educar-lhe a emoo. 
Ele percebeu, logo nos primeiros dias,que  por trs de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, h uma criana que precisa de afeto.

No demorou muitas semanas para todos estarem espantados com a mudana. O rapaz revoltado comeou a respeitar. O garoto agressivo comeou a ser afetivo. Ele cresceu 
e se tornou um adulto extraordinrio. E tudo isso porque algum no desistiu dele.

Todos querem educar jovens dceis, mas so os que nos frustram que testam nossa qualidade de educadores. So seus filhos complicados que testam a grandeza do seu 
amor. Seus alunos insuportveis  que testam seu humanismo. 

Pais brilhantes e professores fascinantes no desistem dos jovens, ainda que eles os decepcionem e no lhes dem retorno imediato. Pacincia  o seu segredo, a educao 
do afeto  a sua meta.

Gostaria que vocs acreditassem que os jovens que mais os decepcionam hoje podero ser os que mais lhes daro alegria  no futuro. Basta investir neles.



6- No cumprir com a palavra.



Havia uma me que no sabia dizer "no" a um filho. Como no suportava as reclamaes, birras e tumultos do menino, queria atender a todas as suas necessidades e 
reivindicaes. Mas nem sempre conseguia, e, para evitar transtornos, ela prometia  o que no podia cumprir. Tinha medo de frustrar o filho.

Essa me no sabia que a frustrao  importante para o processo de formao da personalidade. Quem no aprende a lidar com perdas e frustraes nunca ir amadurecer. 
A me evitava transtornos momentneos com o filho, mas no sabia que estava preparando uma armadilha emocional para ele. Qual foi o resultado?

Esse filho perdeu o respeito pela me . Ele passou a manipul-la, explor-la e discutir intensamente com ela. A histria  triste, pois o filho s valorizava a me 
pelo que ela tinha e no pelo que ela era.

Na sua fase adulta, esse menino teve grandes conflitos. Por ter passado a vida vendo a me dissimulando e no cumprindo a palavra, ele projetou no ambiente social 
uma desconfiana fatal. Desenvolveu uma emoo insegura e paranica, achava que todo mundo queria engan-lo e puxar seu tapete. Tinha idias de perseguio, no 
conseguia fazer amizades estveis, nem parar nos empregos.

As relaes sociais so um contrato assinado no palco da vida. No o quebre. No dissimule suas reaes. Seja honesto com os jovens. No cometa essa falha capital. 
Cumpra o que prometer. Se no puder, diga "no" sem medo, mesmo que seu filho esperneie. E se voc errar nessa rea, volte atrs e pea desculpas. As falhas capitais 
na educao podem ser solucionadas quando corrigidas rapidamente.

A confiana  um edifcio difcil de ser construdo, fcil de ser demolido e muito difcil de ser reconstrudo.



7- Destruir a esperana e os sonhos.


O maior pecado capital que os educadores podem cometer  destruir a esperana e os sonhos dos jovens. Sem esperana no h estrada, sem sonhos no h motivao para 
caminhar. O mundo pode desabar sobre uma pessoa, ela pode ter perdido tudo na vida, mas, se tem esperana e sonhos, ela tem brilho nos olhos e alegria na alma.

Havia um pai muito ansioso. Ele tinha elevada cultura acadmica. Na sua universidade todos o respeitavam. Mostrava serenidade, eloqncia e perspiccia em decises 
que no envolviam emoo. No entanto, quando contrariado, bloqueava sua memria e reagia agressivamente. Isso acontecia principalmente quando chegava em casa. No 
seu departamento era sbrio, mas em casa era um homem insuportvel.

No tinha pacincia com seus filhos.  No tolerava o mnimo desapontamento. Quando ficou sabendo que um deles comeara a usar drogas, suas reaes , que j eram 
ruins, ficaram pssimas. Em vez de abra-lo, ajud-lo e encoraj-lo, passou a destruir a esperana do filho. Dizia "Voc no vai virar nada na vida", "Voc se tornar 
um marginal".

O comportamento do pai deprimia ainda mais o filho e o levava mais fundo para o calabouo das drogas. Infelizmente o pai no parava por a. Alm de destruir a esperana 
do rapaz, obstrua-lhe  os sonhos, bloqueava sua capacidade de encontrar dias felizes. Dizia: "Voc no tem soluo", "Voc s me d desgosto".

Algumas pessoas ntimas desse pai achavam que ele tinha dupla personalidade. Mas do ponto de vista cientfico no existe dupla personalidade. O que existem so dois 
campos distintos de leitura da memria  lidos em ambientes distintos, resultando na produo de pensamentos e reaes completamente distintos.

Muitas pessoas so um cordeiro  com os de fora e um leo com os membros da famlia. Porque esse paradoxo? Porque, com os de fora, elas se freiam e no abrem certas 
favelas da memria, ou seja, os arquivos que contm zonas de conflitos.Com os mais ntimos, essas pessoas perdem o freio do consciente e abrem as favelas do inconsciente. 
Nesse momento vm  tona a raiva, a insensatez, a crtica  obsessiva.

Esse mecanismo est presente em maior ou menor grau em todas as pessoas, mesmo nas mais sensatas. Todos temos tendncia a ferir as pessoas que mais amamos. Mas no 
podemos concordar com isso. Caso contrrio, corremos o risco de destruir os sonhos e a esperana das pessoas que mais nos so caras.

Os jovens que perdem a esperana tm enormes dificuldades para superar seus conflitos. Os que perdem seus sonhos sero opacos, no brilharo, gravitaro sempre em 
torno de suas misrias emocionais e suas derrotas. Crer no mais belo amanhecer depois da mais turbulenta noite  fundamental para ter sade  psquica. No importa 
o tamanho dos nossos  obstculos, mas o tamanho da motivao que temos para super-los.

Um dos maiores problemas na psiquiatria  no  a gravidade de uma doena, seja ela uma depresso, fobia, ansiedade ou frmaco-dependncia, mas a passividade do eu. 
Um eu passivo, sem esperana, sem sonhos, deprimido, conformado com suas mazelas, poder carregar seus problemas at o tmulo. Um eu ativo, disposto, ousado pode 
aprender a gerenciar os pensamentos, reeditar o filme do inconsciente e fazer coisas que ultrapassam nossa imaginao.

Os psiquiatras, os mdicos clnicos, os professores e os pais so vendedores de esperana, mercadores de sonhos. Uma pessoa s comete suicdio quando seus sonhos
se evaporam, sua esperana se dissipa. Sem sonhos no h flego emocional. Sem esperana no h coragem para viver.




Parte 4 - Os cinco papis da memria humana.


Se o tempo envelhecer o seu corpo mas no envelhecer a sua emoo, voc ser sempre feliz.



Memria: caixa de segredos da personalidade. 


A memria  o terreno onde  cultivada a educao. Mas ser que a cincia desvendou os principais papis da memria? Pouco! Muitas reas permanecem  desconhecidas. 
Milhes  de professores no mundo esto usando a memria inadequadamente. Por exemplo, existe lembrana? Muitos professores e psiclogos juram que sim. Mas no h 
lembrana pura.

O registro da memria depende da vontade humana? Muitos cientistas pensam que sim. Mas esto errados. O registro  automtico e involuntrio. A memria humana pode 
ser deletada como a dos computadores? Milhes de usurios dessas mquinas crem que sim. Mas  impossvel delet-la.

A memria  a caixa de segredos da personalidade. Tudo o que somos, o mundo dos pensamentos e o universo de nossas emoes so produzidos a partir dela. Nossos erros 
histricos relativos  memria parecem coisa de fico. H milnios atribumos  memria funes que ela no tem.

Precisamos compreender cinco papis fundamentais do magnfico territrio da memria para podermos encontrar ferramentas para reconstruir a educao, revolucionar 
seus conceitos. Esses papis esto na construo do saber e do aprender.

Farei uma abordagem sinttica. Quem quiser se aprofundar nesses assuntos, sugiro consultar meu livro  Inteligncia Multifocal  (Cury, 1998).



1- O registro na memria  involuntrio.


Certa vez, um homem teve um atrito com um colega de trabalho. Achou que foi tratado com a maior injustia. Disse ao colega que o riscaria da sua vida. Fez um esforo 
enorme para  se livrar dele. Mas quanto mais tentava esquec-lo, mais pensava nele, mas reconstrua o sentimento de injustia. Por que ele no conseguiu cumprir 
sua promessa? Porque o registro  automtico, no depende da vontade humana.

A rejeio de uma idia negativa poder nos fazer escravos dela. Rejeite uma pessoa, e ela dormir com voc, estragando o seu sono. Perdo-la fica emocionalmente 
mais barato. Como vimos, nos computadores o registro depende de um comando do usurio. No ser humano, o registro  involuntrio, realizado, como j vimos, pelo fenmeno 
RAM (registro automtico da memria).

Cada idia, pensamento, reao ansiosa, momento de solido, perodo de insegurana so registrados em sua memria e faro parte da colcha de retalhos da sua histria 
existencial, do filme da sua vida.

Algumas implicaes desse papel da memria:

-Cuidar do que pensamos no palco da nossa mente  cuidar da qualidade de vida.

-Cuidar do que sentimos no presente  cuidar do futuro emocional, do quanto seremos felizes, tranqilos e estveis.

-A personalidade no  esttica. Sua transformao depende da qualidade de arquivamento das experincias ao longo da vida.  possvel adoecer em qualquer poca da 
vida, mesmo tendo uma infncia feliz. Uma criana alegre pode se tornar  um adulto triste, e uma criana triste e traumatizada pode se tornar um adulto alegre e 
saudvel.

-A qualidade das informaes e experincias registradas poder transformara memria num solo frtil ou num deserto rido, sem criatividade.



2- A emoo determina a qualidade do registro.


Um psiclogo clnico pediu a um paciente que contasse detalhes do seu passado. O paciente se esforou, mas s conseguiu falar das experincias que o marcaram. Vivera 
milhes de experincias, mas s conseguiu falar de algumas dezenas.

O psicoterapeuta achou que ele estava bloqueado ou dissimulando. Na realidade, o paciente estava correto. No s conseguimos dar detalhes das experincias que envolvem 
perdas, alegrias, elogios, medos, frustraes. Por qu? Porque a emoo determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido em uma experincia, 
mais o registro ser  privilegiado e mais chance ter de ser resgatado.

Onde ele  registrado? Na MUC, que  a memria de uso contnuo ou memria consciente. As experincias tensas so registradas no centro consciente, e a partir da 
sero lidas continuamente. Com o passar do tempo, elas vo sendo deslocadas para a periferia inconsciente da memria,chamada de ME, memria existencial.

Em alguns casos, o volume de ansiedade ou sofrimento pode ser to grande que provoca um bloqueio da memria. Este bloqueio  uma defesa inconsciente que evita o 
resgate e a reproduo da dor emocional.  o caso das experincias que envolvem acidentes e traumas de guerras. Algumas crianas sofreram tanto na infncia, que 
no conseguem recordar esse perodo de sua vida.

Normalmente as experincias com alta carga emocional ficam disponveis para serem lidas e gerarem milhares de novos pensamentos e emoes. Uma ofensa no-trabalhada 
pode estragar o dia ou a semana. Uma rejeio pode encarcerar uma vida. Uma criana que fica presa num quarto escuro pode desenvolver claustrofobia. Um vexame  em 
pblico pode gerar fobia social.

Algumas implicaes da relao da emoo que interferem no registro da memria:

-Ensinar a matria estimulando a emoo dos alunos desacelera o pensamento, melhora a concentrao e produz um registro privilegiado.

-Os professores e os pais que no provocam a emoo dos jovens no educam, apenas informam.

-Dar conselhos e orientaes sem emoo no gera "momentos educacionais" no mercado da memria.

-Pequenos gestos que geram intensa emoo podem influenciar mais a formao da personalidade das crianas do que os gritos e presses.

-As brincadeiras discriminatrias e os apelidos pejorativos feitos em sala de aula podem gerar experincias angustiantes capazes de produzir graves conflitos.

-Proteger a emoo  fundamental para se ter qualidade de vida.



3- A memria no pode ser deletada.


Nos computadores, a tarefa mais simples  deletar ou apagar as informaes. No homem, isso  impossvel, a no ser quando h leses cerebrais. Voc pode tentar com 
todas as suas foras  apagar seus traumas, pode tentar com toda a sua habilidade destruir as pessoas que o decepcionaram, bem como os momentos mais difceis de sua 
vida, mas no ter xito.

A  nica possibilidade de resolver nossos conflitos, como vimos,  reeditar os arquivos da memria, atravs do registro de novas experincias sobre as experincias 
negativas, nos arquivos onde elas esto armazenadas. Por exemplo, a segurana, a tranqilidade e o prazer devem ser arquivados nas reas da memria que contenham 
experincias de insegurana, ansiedade, humor triste.

Para reeditar o filme do inconsciente existem muitas tcnicas,sejam tcnicas cognitivas que atuam nos sintomas,sejam tcnicas analticas que atuam nas causas.

O ideal  unir as duas. Uma excelente maneira de uni-las  gerenciar os pensamentos e as emoes. Deste modo, deixaremos de ser marionetes de nossos conflitos e 
passaremos a ser  diretores do teatro de nossa mente.

Algumas implicaes  desse papel da memria:

-Tudo o que pensamos ou sentimos ser registrado e far parte do tecido da nossa histria, quer queiramos ou no.

-Diariamente podemos plantar flores ou acumular lixo no solo da memria.

-Como no  possvel deleta  o passado, a grande possibilidade de incorporar novas caractersticas de personalidade e superar traumas e transtornos emocionais  
reeditar o filme do inconsciente.

-Reeditar o filme do inconsciente ou reescrever a memria  construir novas experincias que sero arquivadas no  lugar das antigas.

-A educao que varreu os sculos no compreendeu que se reeditarmos o filme do inconsciente de maneira inteligente seremos autores da nossa histria. Caso contrrio, 
seremos vtimas de nossas mazelas.


4- O grau de abertura das janelas da memria depende da emoo.

A emoo no apenas determina se um registro ser frgil ou privilegiado, mas determina o grau de abertura dos arquivos num determinado momento.

O  acesso  memria dos computadores  livre. Na inteligncia humana este acesso tem que passar pela barreira da emoo. Se uma pessoa est tranqila ou ansiosa, 
o grau de abertura da sua memria e, conseqentemente, sua capacidade de pensar estaro afetados por essas emoes.

Um executivo pode preparar bem uma palestra para os diretores da sua empresa, mas no momento da apresentao pode  truncar sua exposio por causa da ansiedade. 
Atendi muitas pessoas cujas mos ficam secas quando elas esto sozinhas, mas, ao cumprimentar os outros, ficam frias e midas. O excesso de tenso inibe intelectualmente 
essas pessoas quando tm que falar em pblico.

A memria humana no est disponvel quando queremos. Quem determina a abertura dos arquivos da memria   a energia emocional que vivemos a cada momento. O medo, 
a ansiedade e o estresse travam os arquivos e bloqueiam os pensamentos.

Algumas implicaes derivadas da relao com a abertura da memria:

-A tranqilidade abre as janelas da memria e leva as pessoas  a serem mais eficientes num concurso ou numa reunio de trabalho.

- A ansiedade pode comprometer o desempenho intelectual. Alunos bem-preparados podem ir pessimamente numa prova se estiverem  nervosos.

-Uma pessoa tensa ou ansiosa est apta para reagir instintivamente e no para aprender.

-Para ajudar ou corrigir uma pessoa tensa, devemos primeiro conquistar sua emoo para depois conquistar sua razo.



5- No existe lembrana pura.


H milnios, construmos escolas, acreditando que existe lembrana. A mxima da educao mundial  "ensinar para lembrar e lembrar para aplicar". Todavia, depois 
de muitos anos de pesquisa sobre os papis da memria e o funcionamento da mente, estou convicto de que no existe lembrana pura do passado, mas reconstruo com 
micro ou macrodiferenas.

J dei uma prova disso. Se voc procurar tentar lembrar-se dos milhares de pensamentos que produziu na semana passada,  provvel que no resgate nenhum com a cadeia 
exata de verbos, pronomes e substantivos. Mas se resgatar as pessoas e os ambientes com os quais se relacionou, reconstruir milhares de novos pensamentos, mas no 
exatamente o que pensou.

Do mesmo modo, se tentar recordar o dia mais triste ou mais alegre da sua vida, no vai resgatar os mesmos pensamentos e reaes emocionais daquele momento. Voc 
poder reconstruir pensamentos e emoes prximos, mas no exatamente  os mesmos que sentiu. O que isso demonstra?Que a memria  especialista em nos fazer criadores 
de novas idias.

O passado  um grande alicerce para edificarmos novas experincias, e no para vivermos em funo dele. Toda vez que vivemos em funo do passado, obstrumos a inteligncia 
e adoecemos, como  o caso das perdas e dos ataques de pnico no superados. Felizmente nada  esttico na psique, tudo pode ser superado e reconstrudo.

Quando voc recorda uma experincia que teve com um amigo de infncia, uma brincadeira na escola ou um trauma emocional, essa recordao nunca  uma lembrana pura 
que contm todos os pensamentos e reaes emocionais que vivenciou na poca. Ela sempre ser uma reconstruo mais prxima ou distante da experincia original.

A reconstruo do passado sofre a influncia de "cores e sabores" do presente, ou seja, de algumas variveis, tais como o estado emocional e o ambiente social em 
que estamos. Se estivermos numa festa e recordamos uma experincia em que fomos rejeitados, talvez sintamos apenas uma leve dor ou at acharemos graa no fato. O 
ambiente social se tornou um varivel que desfigurou a reconstruo.

Sua memria no  uma mquina de repetio de informaes, como os pobres computadores. Ela  um centro de criao. Liberte-se! Seja criativo!

Algumas implicaes e conseqncias do fato de no existir lembrana pura:

-As provas escolares fechadas no medem a arte de pensar.s vezes, elas anulam o raciocnio de alunos brilhantes.

-A quantidade exagerada de informaes dadas na escola  estressante.

-A maioria das informaes s perde nos labirintos da memria e nunca mais ser recordada.

-O modelo escolar que privilegia a memria como depsito de conhecimento no forma pensadores, mas repetidores.

-O objetivo fundamental da memria  dar suporte para um raciocnio criativo, esquemtico, organizacional, e no para lembranas exatas.




Parte 5- A escola dos nossos sonhos.



" Quanto melhor for a qualidade da educao, menos importante ser o papel da psiquiatria no terceiro milnio".

Os papis da memria expostos aqui sinteticamente, bem como os hbitos dos educadores brilhantes e fascinantes, produziro dez ferramentas ou tcnicas psicopedaggicas 
que podem ser aplicadas pelos pais e principalmente pelos professores.

Muitos educadores no mundo todo dizem que no h nada de novo na educao. Creio  que aqui ser apresentado algo novo e impactante. Essas tcnicas contribuem para 
mudarmos para sempre a educao. Elas constituem o projeto escola da vida e podem gerar a educao dos nossos sonhos. Podem promover o sonho do construtivismo de 
Piaget, da arte de pensar de Vigotsky, das inteligncias mltiplas de Gardner, da inteligncia emocional de Goleman.

As tcnicas no envolvero  mudanas no ambiente fsico e no material adotado, mas no ambiente social e psquico dos alunos e dos professores. A aplicao dessas 
tcnicas na escola depende do material humano: do treinamento dos professores e da mudana da cultura educacional.

Elas objetivam a educao da emoo, a educao da auto-estima, desenvolvimento da solidariedade, da tolerncia, da segurana, do raciocnio esquemtico, da capacidade 
de gerenciar os pensamentos nos focos de tenso, da habilidade de trabalhar perdas e frustraes. Enfim, formar pensadores.


1- Msica ambiente em sala de aula.


Objetivos desta tcnica: desacelerar o pensamento, aliviar a ansiedade, melhorar a concentrao, desenvolver o prazer de aprender, educar a emoo.

J.C. nasceu prematuro. Como toda criana prematura, no teve tempo para se encaixar no colo uterino e ficar um ms quietinho se preparando para as turbulncias da 
vida. Nasceu de sete meses, quando ainda fazia malabarismos dentro do tero da me. Nasceu com toda energia.

Os estmulos do meio ambiente o perturbavam. Desenvolveu uma ansiedade intensa e se tornou uma criana  hiperativa. Tenho observado que muitos prematuros se tornam 
hiperativos.A hiperatividade deles no  gentica, mas decorre da falta de psicoadaptao emocional, to importante no final da gestao.A psicoadaptao se d quando 
o beb mal cabe dentro do tero, e por isso tem de desacelerar seus movimentos e aprender a relaxar.

Quando criana, J.C. no conseguia se aquietar na carteira. Era agitado, tenso, repetia os erros, tumultuava a classe. Nada o tranqilizava, nem as broncas dos adultos. 
Ele no era assim porque queria. Tinha uma necessidade vital de perturbar o ambiente para aliviar a sua ansiedade. Concentrao? Era um artigo raro. S se concentrava 
naquilo que o interessava muito. Mas, como era um garoto esperto, o pouco que se concentrava na aula era suficiente para faz-lo tirar boas notas. 

Com o passar do tempo, ele aprendeu a administrar a sua ansiedade e a ter projetos de vida estveis. Ele contou com a ajuda de professores que fizeram algumas tcnicas 
que comentarei a seguir. Tornou-se um profissional competente. Como todo hiperativo, tem um pensamento acelerado. Mas sabe o que o ajudou a ser  estvel: foi a msica 
clssica. Desde a sua infncia sua me o levou a apreci-la.

A msica clssica desacelerava seus pensamentos e estabilizava sua emoo. Exemplos como o J.C. me ajudaram a compreender o valor da msica para modular o ritmo 
do pensamento. Eis a primeira tcnica psicopedaggica: msica ambiente durante a exposio das aulas.

Os objetivos da msica no funcionamento da mente.

Se a emoo determina a qualidade do registro, quando no h emoo a transmisso das informaes gera disperso nos alunos, em vez de prazer e concentrao. Se 
houver msica ambiente dentro da sala de aula, de preferncia msica suave, o conhecimento seco e lgico transmitido pelos professores de matemtica, fsica, qumica 
ou lnguas ganha uma dimenso emocional. O fenmeno RAM o registrar de maneira privilegiada. Sem a emoo, o conhecimento no possui paladar. 

A msica ambiente tem trs grandes metas. Primeiro, produzir a educao musical e emocional. Segundo, gerar o prazer de aprender durante as aulas de matemtica, 
fsica,histria. Plato sonhava com o deleite de aprender (Plato, 1985). Terceiro, aliviar a sndrome do pensamento acelerado (SPA), pois aquieta o pensamento,melhora 
a concentrao e a assimilao de informaes. A msica ambiente deveria ser usada desda a mais tenra infncia na sala de casa e na sala de aula.

Os efeitos da msica ambiente em sala de aula so espetaculares. Relaxam os mestres e anima os alunos. Os jovens amam msicas agitadas porque seus pensamentos e 
emoes so agitados. Mas depois de ouvir, durante seis meses, msicas tranqilas, a emoo deles  treinada e estabilizada. 


2- Sentar em crculo ou em U.


Objetivos desta tcnica: desenvolver a segurana, promover a educao participativa, melhorar a concentrao, diminuir conflitos em sala de aula, diminuir conversas 
paralelas.

Certa vez, quando eu estava na quinta srie do ensino fundamental, minha classe foi dividida em grupos. Cada grupo tinha de apresentar um trabalho na frente da turma. 
Muitos do meu grupo se recusaram a fazer tal faanha. Eu, mais ousado, fui em frente. Jamais tremi tanto. Minha voz ficou sufocada. Parecia to fcil falar dentro 
do meu quarto, mas eu no conseguia coordenar minhas idias na frente da classe. Hoje dou palestras para milhares de pessoas numa platia. Mas no foi fcil superar 
esse conflito.

Por que  to difcil falar sobre nossas idias em pblico? Por que muitos tm dificuldade de estender a mo e fazer perguntas num anfiteatro? Por que algumas pessoas 
so eloqentes e seguras para falar com os ntimos  mas completamente inibidas para discutir suas opinies com estranhos ou em grupo de trabalho? Uma das grandes 
causa  o sistema escolar. 

Apesar de parecer to inofensivo enfileirar os alunos um atrs do outro na sala de aula, esta disposio  lesiva, produz distraes e obstrui a inteligncia. O 
enfileiramento dos alunos destri a espontaneidade e a segurana para expor as idias. Gera um conflito caracterizado por medo e inibio. 

O mecanismo  o seguinte: quando se est num ambiente social, detona-se um fenmeno inconsciente em fraes de segundos, chamado gatilho na memria, que abre certos 
arquivos que contm insegurana e bloqueios, gerando um estresse que obstrui a leitura de outros arquivos  e dificultando a capacidade de pensar.

As grandes teorias educacionais no estudaram os papis da memria. Por isso, elas no perceberam que bastam dois anos em que os alunos se sentam enfileirados na 
escola para gerar um trauma inconsciente. Um trauma que produz um grande desconforto para expressar as opinies em reunies, falar "no", discutir dvidas em sala 
de aula. Alguns adquirem um medo dramtico de receber crticas, e por isso se calam para sempre. Outros so superpreocupados com que os outros pensam e falam a respeito 
deles. Voc tem este trauma? 

A escola clssica gera conflitos nos alunos sem perceber. Alm de bloquear a capacidade de argumentar, o enfileiramento dos alunos coloca combustvel na sndrome 
do pensamento acelerado, a SPA. O pensamento dos alunos vai a mil por hora.

Para os adultos,j  difcil suportar a fadiga, a ansiedade e a inquietao da SPA. Agora, imagine para crianas e jovens obrigados a ficar sentados, inertes, e 
ainda por cima, tendo como paisagem  sua frente a nuca dos colegas de classe? Para no explodir de ansiedade, eles tumultuaro o ambiente, tero conversas paralelas, 
mexero com seus amigos.  uma questo de sobrevivncia. No os culpe. Culpe o sistema. 

Como resolver esse problema? Fazendo com que os alunos se sentem em meia lua, em U ou em duplo crculo. Eles precisam ver o rosto uns dos outros. Por favor, retirem 
os alunos da pr-escola  universidade do enfileiramento. Ele fomenta a inrcia intelectual.

Educando com os olhos: os escultores da emoo.

Guardem esta frase. A sala de aula no  um exrcito de pessoas caladas nem um teatro onde o professor  o nico ator e os alunos, espectadores passivos. Todos so 
atores da educao. A educao deve ser participativa.

Em minha opinio, um quinto do tempo escolar deveria ser gasto com os alunos dando aulas na frente da classe. Os professores relaxariam nesse perodo, e os alunos 
se comprometeriam com a educao, desenvolveriam capacidade crtica, raciocnio esquemtico, superariam a fobia social.

Peo aos mestres para darem especial ateno aos alunos tmidos. Eles tm diversos graus de fobia social, de expressar suas idias em pblico. Estamos fabricando 
uma massa de jovens tmidos. Os tmidos falam pouco, mas pensam muito, e s vezes se atormentam com seus pensamentos. J disse, os tmidos costumam ser timos para 
os outros, mas pssimos para si mesmos. So ticos e preocupados com a sociedade, mas no cuidam da sua qualidade de vida.

Os educadores so escultores da emoo. Eduquem olhando nos olhos, eduquem com gestos: Eles falam tanto quanto as palavras. Sentar em forma de U ou em crculo aquieta 
o pensamento, melhora a concentrao, diminui a ansiedade dos alunos. O clima da classe fica agradvel e a interao social d um grande salto.


3- Exposio interrogada: a arte da interrogao.


Objetivos desta tcnica: aliviar a SPA, reacender a motivao, desenvolver o questionamento, enriquecer a interpretao de textos e enunciados, abrir as janelas 
da inteligncia.

Todo estresse  negativo? No! O estresse s  negativo quando  intenso, bloqueia a inteligncia e gera sintomas. H um tipo de estresse positivo que abre as janelas 
da memria e nos estimula a superar obstculos e resolver dvidas. Sem este estresse, nossos sonhos se diluem, nossa motivao se esfacela. A educao produz o estresse 
positivo ou negativo? Freqentemente negativo! Por qu ? Devido  transmisso do conhecimento frio, pronto e sem sabor. 

Esta transmisso cria um ambiente sem desafios, aventura e inspirao intelectual. Educar  provocar a inteligncia,  a arte dos desafios. Se um professor no conseguir 
provocar a inteligncia dos alunos durante sua exposio, ele no o educou. O que  mais importante na educao: a dvida ou a resposta? Muitos pensam que  a resposta. 
Mas a resposta  uma das maiores armadilhas intelectuais. Quem determina o tamanho da resposta  o tamanho da dvida. A dvida nos provoca muito mais do que a resposta. 

A dvida  o princpio da sabedoria em filosofia (Durant, 1996). Quanto mais um cientista, um executivo, um profissional duvidam das suas verdades, questionam o 
mundo ao seu redor, mais eles expandem o mundo das idias e brilham. Os professores deveriam instigar a mente dos alunos e provocar-lhes dvida. Como? 

Realizando a exposio interrogada a cada momento. Ao falar  sobre o tomo, o professor deveria interrogar: "Quem nos garante que o tomo existe?", "Como podemos 
afirmar que ele  formado de prtons, nutrons e eltrons?". Os professores de matemtica, d lnguas e de histria deveriam aprender a questionar criativamente o 
conhecimento que expe. As palavras "Por qu?", "Como?","Onde?","Qual fundamento disso?" devem fazer parte da sua rotina. 

A exposio interrogada gera a dvida, a dvida gera o estresse positivo, e este estresse abre as janelas da inteligncia. Assim formamos pensadores, e no repetidores 
de informaes. A exposio interrogada conquista primeiro o territrio da emoo, depois o palco da lgica, e em terceiro lugar, o solo da memria. Os alunos ficam 
supermotivados, se tornam questionadores, e no uma massa de pessoas manipuladas pela mdia e pelo sistema. 

A exposio interrogada transforma a informao em conhecimento, e o conhecimento, em experincia. O melhor  professor no  o mais eloqente, mas o que mais instiga 
e estimula a inteligncia.

Formando mentes livres.

Se os alunos ficam na escola durante quatro anos como meros ouvintes das informaes, eles deixam de ser questionadores do mundo de si mesmos e se tornam espectadores 
passivos. Alguns jovens, neste processo, se tornam arrogantes e insensveis, adquirindo ansiedade e traos de psicopatia. 

Do que se alimentam intelectualmente psicopatas ou ditadores? De verdades absolutas. Eles no duvidam, no questionam seus comportamentos inumanos. O mundo gira 
em torno das suas verdades. Eles ferem os outros e no sentem a sua dor. Para que um psicopata se liberte, ele precisa aprender a amar a arte da dvida, pois s 
assim saber se repensar e se colocar no lugar dos outros. 

Os professores devem superar o vcio de transmitir o conhecimento pronto, como se fossem verdades absolutas. At porque, a cada dez anos, muitas verdades da cincia 
se tornam folclore e perdem seu valor. 

Treine fazer pelo menos dez interrogaes a cada aula. No pense que isto  to simples, pois exige um treinamento de seis meses. A educao emancipa, forma mentes 
livres (Adorno, 1971) e no robotizadas e controladas pelo consumismo, pela parania da esttica, pela opinio dos outros.


4- Exposio dialogada: a arte da pergunta.


Objetivos desta tcnica: desenvolver a conscincia crtica, promover o debate de idias, estimular a educao participativa, superar a insegurana, debelar a timidez, 
melhorar a concentrao.

Outra ferramenta espetacular para transformar o solo rido da sala num canteiro de flores  a exposio dialogada, executada pela arte da pergunta. Na exposio 
interrogada, o professor questiona o conhecimento sem perguntar, na exposio dialogada ele faz inmeras perguntas aos alunos. As duas tcnicas se complementam. 
Vejamos.

Atravs da arte da pergunta, o professor estimula mais ainda o estresse positivo da dvida. Ele cativa a ateno dos alunos e penetra no territrio da emoo e no 
anfiteatro de suas mentes. O conhecimento pronto estanca o saber e a dvida provoca a inteligncia (Vigotsky,1987). Todos os grandes pensadores foram grandes perguntadores. 
As grandes respostas emanaram das grandes perguntas.

Em qual poca  mais fcil aprender? Na infncia! Porqu? Porque ela  a fase em que mais perguntamos e abrimos as janelas da nossa mente. As crianas aprendem lnguas 
com facilidade, no apenas porque esto menos entulhadas de informaes na memria, mas porque so perguntadoras, interagem mais. Por que  mais fcil aprender uma 
lngua diferente no pas de origem dessa lngua?

O grande motivo  quando se vai para um outro pas, se passa vergonha, enfrenta-se dificuldades. Nesta hora  os diplomas e o status social quase no tm valor.  
preciso quebrar a cara para construir uma rede de relacionamentos e sobreviver. Para isso, precisamos perder o medo de perguntar. Esta situao nos estressa e abre 
de maneira espetacular os arquivos da memria, facilitando o aprendizado. 

Quando uma pessoa pra de perguntar, ela pra de aprender, pra de crescer. Em que poca os cientistas produzem suas idias mais brilhantes? Na maturidade ou quando 
ainda so imaturos? Quando imaturos, porque duvidam, se estressam e perguntam mais. Einstein props a teoria da relatividade com 27 anos. Depois que os cientistas 
recebem ttulos e aplausos, surgem os problemas. Os mesmos ttulos e louvores que os reconhecem podem se tornar o veneno que os mata como pensadores (Cury,2002). 
Muitos se tornam estreis.

Hoje, meus livros esto sendo publicados em mais de quarenta pases. Por ser pesquisador dos bastidores da mente, estou preocupado, pois mesmo que no queira eu 
sei que esse sucesso j causou algum estrago em meu inconsciente. Preciso estar alerta, me reciclar e me esvaziar continuamente, para continuar sendo um engenheiro 
de novas idias. Voc deixou de aprender ou continua um voraz aprendiz? Muitos no percebem que deixaram de pensar...

Um professor fascinante deve fazer pelo menos dez perguntas para os alunos durante o tempo de uma aula. Deve primeiro fazer a pergunta para toda a classe. A pergunta 
j estressa positivamente os alunos e melhora a concentrao. Se ningum se atrever a responder, ele deve chamar um aluno pelo nome e perguntar-lhe. Independentemente 
da resposta, o aluno deve ser elogiado pela sua participao. Os alunos mais arredios so conquistados com este procedimento.

Viajando para dentro de si mesmos.

A arte da pergunta gera pensadores brilhantes nas faculdades de medicina, direito, engenharia, pedagogia. Mas ela deve ser iniciada na pr-escola. Depois de um ano 
da arte da exposio interrogada e dialogada, os alunos perdem o medo de se expressar, aprendem a discutir as idias e se tornam grandes viajantes. Como assim?

Aprendem a viajar para dentro de si mesmos, aprendem a perguntar porque esto angustiados, ansiosos, irritados, solitrios, amedrontados. Aprendem no apenas a questionar 
o mundo de fora, mas tambm a fazer uma mesa redonda com eles mesmos.

Quando treino psiclogos para atendimento clnico, sempre lhes falo sobre a grandeza dessa mesa redonda interior. Quem  capaz de fazer este auto-dilogo reedita 
o filme do inconsciente mais rpida e eficientemente.

No basta um paciente fazer psicoterapia. Ele tem de ser autor da sua histria, tem de aprender a intervir em seu prprio mundo. Mas, infelizmente, raras vezes as 
pessoas penetram em seu mundo, mesmo no meio mdico. Quando o mundo nos abandona, a solido  tolervel, mas quando  ns mesmos nos abandonamos, a solido  quase 
insuportvel.

A arte da pergunta faz parte da educao dos nossos sonhos. Ela transforma a sala de aula da nossa emoo num ambiente potico, agradvel, inteligente.


5- Ser contador de histrias.


Objetivos desta tcnica: desenvolver a criatividade, educar a emoo, estimular a sabedoria, expandir a capacidade de soluo em situaes de tenso, enriquecer 
a socializao.

Educar  contar histrias. Contar histrias  transformar a vida na brincadeira mais sria da sociedade. A vida tem perdas e problemas, mas deve ser vivida com otimismo, 
esperana e alegria. Pais e professores devem danar a valsa da vida como contadores de histrias. 

O mundo  srio e frio demais. As notcias dirias denunciam crimes, desgraas, mortes, infortnios. Toda essa avalanche de notcias ruins  arquivada no mercado 
da memria, gerando cadeias de pensamentos que tornam a vida triste, ansiosa e sem entusiasmo. 

Temos de viver com mais suavidade. Aprender a rir das nossas tolices, comportamentos absurdos, manias, medos. Precisamos contar mais histrias. Os pais precisam 
ensinar a seus filhos, criando histrias. Os professores precisam contar histrias para ensinar as matrias com o tempero da alegria e, s vezes, das lgrimas. 

Para contar histrias,  necessrio exercitar uma voz flutuante, teatralizada, que muda de tom durante a exposio.  preciso produzir gestos e reaes capazes de 
expressar o que  as informaes lgicas no conseguem. Muitos pais e professores so dotados de grande cultura acadmica, mas so engessados, rgidos, formais. Nem 
eles se suportam.

H pessoas que no conseguem contar histrias? No creio. Dentro de cada ser humano, mesmo nos mais formais, h um palhao que quer respirar, brincar e relaxar. 
Deixe-o viver. Surpreenda os jovens. Nossos filhos precisam de uma educao sria, mas tambm agradvel. Abra um sorriso, abrace os jovens, conte-lhes histrias. 

Gritando dentro do corao, contando histrias suaves.

As "estrias" podem resgatar as "histrias". A fico pode regatar a realidade. Como assim? Um professor de histria nunca deveria falar da escravido dos negros 
sem resgatar o perodo histrico. As informaes secas sobre a escravido no educam, no sensibilizam, no nos conscientizam nem provocam rejeio  pelos crimes 
que nossa espcie cometeu. 

Quando for falar dos negros, o professor de Histria deveria criar histrias para fazer os alunos entenderem o desespero, os pensamento, a angstia desses seres 
humanos por serem escravizados por membros da sua prpria espcie. Nada melhor do que contar uma histria real ou criar uma "estria" para levar os alunos a vivenciar 
o drama da escravido. 

Sem esse mergulho interior, a escravido no gera um slido impacto emocional. No provoca uma rebelio decisiva contra a discriminao. A morte de milhes de judeus, 
ciganos, e outras minorias no gera comoo, no cria vacinas intelectuais. Outros "Hitlers" sero produzidos. Falar do conhecimento sem humaniz-lo, sem resgatar 
a emoo da histria, perpetua nossas misrias e no as cura.

Contar histrias tambm  psicoteraputico. Sabe qual  a melhor maneira de resolver conflitos em sala de aula? No  agredir, dar gritos estridentes ou fazer um 
sermo. Estes mtodos so usados desde a idade da pedra  e no funcionam. Mas contar histrias. Ontar histrias fisga o pensamento, estimula a anlise. 

Da prxima vez que um aluno ou um filho o agredir, leve-o a pensar. Grite dentro dele sendo educado, grite com suavidade, conte-lhe uma histria. Os jovens podero 
esquecer das suas crticas e regras, mas no esquecero das suas histrias.


1- Humanizar o conhecimento.


Objetivos desta tcnica: estimular a ousadia, promover a perspiccia, cultivar a criatividade, incentivar a sabedoria, expandir a capacidade crtica, formar pensadores. 

A educao clssica comete outro grande erro. Ela se esfora para transmitir o conhecimento em sala de aula, mas raramente comenta sobre a vida do produtor do conhecimento. 
As informaes sobre qumica, fsica, matemtica, lnguas deveriam ter um rosto, uma identidade. O que significa isso?

Significa humanizar o conhecimento, contar a histria dos cientistas que produziram as idias que os professores ensinam. Significa tambm reconstruir o clima emocional 
que eles viveram enquanto pesquisavam. Significa ainda relatar a ansiedade, os erros, as dificuldades e as discriminaes que sofreram. Alguns pensadores morreram 
por defenderem suas idias.

A melhor maneira de produzir pessoas que no pensam  nutri-las com um conhecimento sem vida, despersonalizado. Sou crtico dos materiais didticos belssimos que 
expe o conhecimento mas desprezam a histria dos cientistas. Este tipo de educao causa averso nos alunos, no provoca a arte de pensar. 

Quantas noites de insnia, dificuldades e turbulncias eu no passei para produzir uma nova teoria sobre o funcionamento  da mente num pas que no tem tradio 
de produzir cientistas  tericos! Produzir uma nova teoria  mais complexo do que fazer centenas de pesquisas. Mas nem todos valorizam esse trabalho.

Quais so meus alicerces intelectuais? Sero os meus sucessos, o reconhecimento da teoria  e seu uso em teses de mestrado e doutorado? No! Meus alicerces so as 
dores que passei, as inseguranas que vivenciei, as angstias que sofri, a superao do meu caos...

Por trs de cada informao dada com tanta simplicidade em sala de aula existem as lgrimas, as aventuras e a coragem dos cientistas. Mas os alunos no conseguem 
enxerg-las. 

 to importante falar da histria da cincia e da histria dos pensadores quanto do conhecimento que eles produziram. A cincia sem rosto paralisa a inteligncia, 
descaracteriza o ser, o aproxima do nada (Sartre, 1997). Gera homens arrogantes, e no homens que pensam. Raramente um cientista causou danos  humanidade. Quem 
causou os danos foram os que utilizaram a cincia sem conscincia crtica.

Paixo pela cincia: em busca de aventureiros.

Como eu produzo conhecimento sobre a forma como construmos pensamentos, sempre me intrigou observar que um pensador gerava um conjunto de colegas pensadores na 
primeira gerao e, na segunda, eles escasseavam. Por exemplo, muitos jovens amigos de Freud tornaram-se pensadores, como Jung e Adler. Depois d morte de Freud, 
muitos de seus seguidores se fecharam para novas possibilidades de pensamentos. Assim, no expandiram mais suas idias, como fez a primeira gerao, apenas a reproduziram 
ou repetiram.

Por que ocorre esse fenmeno inconsciente na cincia? Porque a primeira gerao participou da histria viva do pensador. Sentiu o calor dos seus desafios, das suas 
perseguies e da sua coragem, e por isso tambm abriu as janelas da sua inteligncia e ousou criar, correr riscos, propor algo novo. A segunda gerao no participou 
dessa histria, por isso endeusou, e no humanizou o pensador.

Claro que h excees, mas esse mecanismo  universal. Esteve presente na filosofia, no direito, na fsica, no sistema poltico, e at no meio dos lderes espirituais. 
Sabe quais so os piores inimigos de uma teoria e de uma ideologia?  So seus defensores radicais. H muito que falar sobre isso, mas no  o momento. 

Diante disso afirmo convictamente que humanizar o conhecimento  fundamental para revolucionarmos a educao. Caso contrrio, assistiremos a milhares de congressos 
de educao que no tero efeito intelectual algum. Os alunos, mesmo os que fazem mestrado e doutorado , sero no mximo atores coadjuvantes da evoluo da cincia.

Creio que 10 a 20 % do tempo de cada aula deveriam ser gastos pelos professores com o resgate da histria dos cientistas. Esta tcnica estimula a paixo pelo conhecimento 
e produz engenheiros de idias. Os alunos sairo com um diploma na mo e uma paixo no corao. Sero aventureiros que enfrentaro e exploraro o mundo com maestria.

Os jovens sairo do ensino mdio e universitrio desejando se espelhar em modelos de empreendedores, tais como cientistas, mdicos, juristas, professores, enfim, 
os atores que transformaram o mundo, e no em modelos fotogrficos e artistas que do dia para a noite ganham os holofotes da mdia. O conhecimento sem rosto e a 
indstria fantasiosa do entretenimento tm matado nossos  verdadeiros heris.


2- Humanizar o professor: cruzar sua histria.


Objetivos desta tcnica: desenvolver a socializao, estimular  a afetividade, construir ponte produtiva nas relaes sociais, estimular a sabedoria, superar conflitos, 
valorizar o "ser".

Antes do sculo XVI, a educao era normalmente feita por mestres que conviviam com os jovens. Estes se afastavam dos pais durante a adolescncia, aprendiam a profisso 
de ferreiros, produtores de vinhos, etc. Muitos pagavam um preo emocional carssimo, pois se isolavam dos pais dos sete aos quatorze anos, prejudicando assim a 
relao afetiva deles. 

Quando a escola se difundiu, houve um grande salto emocional, pois, alm do ganho educacional que tinham nas escolas, as crianas retornavam todos os dias para o 
convvio com os pais. A afetividade entre eles cresceu. Pais abraavam seus filhos diariamente. Palavras como chri (querido) apareceram na Frana. At a arquitetura 
das casas mudou. Surgiram os corredores laterais para os estranhos no invadirem  o espao ntimo da famlia.

Logo que a escola se difundiu, injetou combustvel nas relaes sociais. Foi um belo comeo. A famlia era uma festa. Pais tinham tempo para os filhos, e os filhos 
admiravam seus pais. Mas, nos sculos seguintes, as relaes se distanciaram muito. Hoje, pais e filhos mal tm tempo de conversar. E a relao escolar? Est pior.

Professores dividem o espao de uma sala, mas no se conhecem. Passam anos muito prximos, mas so estranhos uns para os outros. Que tipo de educao  este que 
despreza a emoo e nega a histria existencial? 

Os animais no tm histria, pois no percebem que so distintos no mundo, mas o ser humano percebe essa diferena e por isso constri uma histria e transforma 
o mundo (Freire,1998). As escolas de pedagogia falham por no estimularem seus professores a se humanizarem em sala de aula.  fundamental humanizar o conhecimento, 
e primordial humanizar os mestres.

Os computadores podem informar os alunos, mas apenas os professores so capazes de form-los.Somente eles podem estimular a criatividade, a superao de conflitos, 
o encanto pela existncia, a educao para a paz, para o consumo, para o exerccio dos direitos humanos.

Caros professores, cada um de vocs tem uma fascinante histria que contm lgrimas e alegrias, sonhos e frustraes. Contem essa histria em pequenas doses para 
seus alunos durante o ano. No se escondam atrs do giz ou da sua matria. Caso contrrio, os temas transversais -  responsveis por educar para a vida, como a educao 
para a paz, para o consumo, para o trnsito, para a sade - sero uma utopia, estaro na lei, mas no no corao.

A educao moderna  est em crise, porque no  humanizada, separa o pensador do conhecimento, o professor da matria, o aluno da escola, enfim, separa o sujeito 
do objeto. Ela tem gerado jovens lgicos, que sabem lidar com nmeros e mquinas, mas no com dificuldades, conflitos, contradies e desafios. Por isso, raramente 
produz executivos e profissionais excelentes, que saem da mesmice e fazem a diferena.

As notas baixas tm grande valor na escola da vida.

Encontrem algumas janelas dentro da aula para falar por alguns minutos sobre os problemas, metas, fracassos e sucessos que tiveram na vida. O resultado? Vocs educaro 
a emoo. Os seus alunos iro am-los, vocs sero mestres inesquecveis. Eles os identificaro com a matria que vocs ensinam, tero apreo por suas aulas.

Ouam tambm seus alunos. Penetrem no mundo deles. Descubram quem so. Um professor influencia mais a personalidade dos alunos pelo que  do que pelo que sabe. 

Caros pais, vocs tambm possuem uma brilhante histria. Como j comentei no incio deste livro, falem de si mesmos, deixem seus filhos descobrirem seu mundo. A 
melhor maneira de prepar-los para a vida no  impor regras, fazer crticas, dar broncas, punir, mas falar dos seus sonhos, sucessos, inseguranas, falhas.

Educadores fascinantes no so infalveis. Ao contrrio, reconhecem erros, mudam de opinio se forem convencidos, e no enfiam suas verdades "garganta abaixo" dos 
seus filhos e alunos. Estes comportamentos lcidos so registrados de maneira excelente pelo fenmeno RAM (registro automtico da memria), produzindo um jardim 
no mundo consciente e inconsciente dos jovens.

Vejam este exemplo. Jesus Cristo no controlava ningum, apenas expunha suas idias e convidava as pessoas a refletirem, dizendo: "quem tem sede...", "quem quiser 
me seguir...".
Ele instigava a arte de pensar. Os grandes pacificadores, como Plato, Buda, Maom, Ghandi, queriam formar homens livres.

Na escola da vida, as notas baixas nos ajudam mais do que as notas altas. Falhar pode gerar, em certas situaes, uma experincia mais rica do que acertar. Precisamos 
falar das nossas vitrias, mas tambm das nossas frustraes. H muitos jovens deprimidos e fbicos implorando com seus gestos e atitudes que um professor lhes conte 
uma histria que os ajude.

Certa vez, uma coordenadora pedaggica de uma grande escola, assistiu a uma das minhas conferncias, motivada pela exposio, levantou-se diante da platia e contou 
uma histria comovente. Disse que h alguns meses uma das alunas a procurara para conversar sobre um problema.

A aluna estava visivelmente abatida, mas a coordenadora disse que no tinha tempo naquele momento e adiou a conversa para um outro dia. Infelizmente no houve tempo, 
pois a jovem tirou sua vida antes. Nunca alguns minutos foram to importantes.

Quantos conflitos no sero evitados atravs de uma educao humanizada! Tenho convico de que os professores que lerem este livro e comearem a entrar no mundo 
dos seus alunos agressivos, ansiosos ou represados evitaro no apenas muitos suicdios, mas tambm massacres em que jovens pegam armas e saem atirando em seus colegas 
e professores. 

Antes de cometerem esses crimes, os jovens gritaram de diversas maneiras pedindo ajuda, mas ningum os ouviu. Clamaram, mas ningum entendeu a sua mensagem. Muitas 
pessoas j me disseram que o dilogo que mantive com elas evitou que desistissem da vida. Quando ns as ouvimos, elas tambm se ouvem e encontram seus caminhos. 
Mas so muitos os que tm medo de ouvir.

No pensem que a preveno de conflitos seja atribuio apenas de psiquiatras e psiclogos. At porque  a minoria  que procura ajuda psicolgica. Os professores 
podem fazer muito mais do que imaginam.

Conquistando vantagens competitivas,

Por favor, permita-me insistir neste ponto, pois nunca ser demais enfatizar. A educao est errada no mundo todo. As escolas nasceram sem uma compreenso profunda 
dos papis da memria e do processo de construo dos pensamentos. Embora no tenhamos dados estatsticos, creio, como disse, que pelo menos 90% das informaes 
que aprendemos em sala de aula nunca sero recordadas.

Abarrotamos a memria e no sabemos o que fazer com tantas informaes. A memria  especialista em sustentar o florescimento de novos pensamentos, a criatividade 
da inteligncia. Vamos dar menos informaes e cruzar mais nossas histrias. 

H muitas escolas que s se preocupam em preparar os alunos para entrar nas melhores faculdades. Elas erram por se focarem s neste objetivo. Mesmo que entrem nas 
melhores escolas, quando sarem, esses alunos podero ter enormes dificuldades para dar soluo a seus desafios profissionais e pessoais. 

O sistema educacional est doente. Ultrapasse o contedo programtico. Peo aos mestres: encontrem espaos para humanizar sua histria e estimular a arte da dvida. 
Seus alunos no s daro um salto intelectual como tero vantagens competitivas. Quais?

Sero empreendedores, sabero fazer escolhas, correro riscos para concretizar suas metas, suportaro os invernos da vida com dignidade. Sero mais saudveis emocionalmente. 
Tero menos possibilidades de desenvolver conflitos e necessitar de um tratamento psicolgico.


3- Educar a auto-estima: elogiar antes de criticar.


Objetivos desta tcnica: educar a emoo e a auto-estima, vacinar contra a discriminao, promover a solidariedade, resolver conflitos em sala de aula, filtrar estmulos 
estressantes, trabalhar perdas e frustraes.

O elogio alivia as feridas da alma, educa a emoo e a auto-estima. Elogiar  encorajar e realar as caractersticas positivas. H pais e professores que nunca elogiaram 
seus filhos e alunos. 

O meu livro "Voc  insubstituvel" se tornou um grande fenmeno editorial em muitos pases no pela grandeza do escritor, mas porque nele elogio a vida. Conto que 
todos ns cometemos loucuras de amor para estarmos vivos. Fomos os maiores alpinistas e os maiores nadadores do mundo para ganhar a maior disputa da histria, uma 
disputa com mais de 40 milhes de concorrentes. Que disputa era essa? 

A disputa do espermatozide para fecundar o vulo. Foi uma grande aventura. Muitos jovens dizem que no pediram para nascer. Outros desanimam ante qualquer problema. 
Outros ainda acham que nada d certo na sua vida. Mas todos nascemos vencedores. Todas as dificuldades atuais so refrescos se comparadas aos graves riscos que enfrentamos 
para estarmos vivos no palco da existncia. Os professores precisam comunicar esta histria aos alunos. Ela tem contribudo para gerar uma slida auto-estima.

Como ajudar um aluno ou um filho que falhou, agrediu, teve reaes inadmissveis?Um dos maiores segredos  usar a tcnica do elogiar-criticar. Primeiro, elogie algumas 
caractersticas dele. O elogio estimula o prazer, e o prazer abre as janelas da memria. Momentos depois, voc pode critic-lo e lev-lo a refletir sobre a sua falha.

Criticar sem antes elogiar obstrui a inteligncia, leva o jovem a reagir por instinto, como um animal ameaado. O ser humano mais agressivo se derrete diante de 
um elogio, e assim fica desarmado para ser ajudado. Muitos assassinatos poderiam ser evitados se, no primeiro minuto de tenso, a pessoa ameaada elogiasse o seu 
agressor. 

Certa vez, um homem de origem alem cujos avs sofreram um trauma de guerra foi ao meu consultrio. Ele era muito agressivo. Dizia que matava qualquer um que atravessasse 
seu caminho, inclusive seus filhos. Numa consulta falei algo de que ele no gostou, e ele tirou uma arma que estava escondida e me ameaou. Sabe o que fiz?

No me intimidei. Fitei seus olhos e o elogiei. Disse-lhe: "Como pode um homem inteligente precisar de uma arma para expor suas idias?" E continuei: "O senhor sabe 
que tem uma grande capacidade intelectual e que pode atravs dela conquistar qualquer pessoa?"

O elogio o surpreendeu. Sua raiva se derreteu como gelo ao sol do meio-dia. Comeou a chorar. A partir desse momento, teve uma excelente evoluo em seu tratamento. 
Tornou-se um ser humano amvel. Se eu no tivesse tido essa conduta talvez no estivesse aqui escrevendo.

Vacinando contra a discriminao.

Experimente elogiar sua esposa, seu marido, seus filhos, seus alunos, seus colegas de trabalho antes de critic-los. Sempre h motivos para valorizar. Encontre-os. 
Depois de elogi-los, faa a sua crtica, mas fale uma vez s. No  a repetio das palavras crticas que gera o momento educacional, mas seu registro privilegiado. 
Se usar essa tcnica durante alguns meses, a sua relao social vai se tornar totalmente diferente. Voc ser capaz de conquistar as pessoas mais glidas e insuportveis.

No h jovens problemticos, mas jovens que esto passando por problemas. Elogie os jovens tmidos, obesos, discriminados, hiperativos, difceis, agressivos. Encoraje 
aqueles de quem os outros zombam, os que se sentem diminudos. Ser educador  ser promotor de auto-estima.

Se eu pudesse, iria de escola em escola em vrias partes do mundo treinando os professores para compreenderem o funcionamento da mente e entenderem que no pequeno 
espao escolar so desencadeados grandes traumas emocionais. Em vez dos elogios, existem crticas agressivas. Freqentemente os alunos machucam seriamente um ao 
outro. 

No permita em hiptese alguma que os alunos chamem seus colegas de "baleia" ou "elefante" por eles serem obesos. Voc no imagina o rombo emocional que esses apelidos 
provocam no solo do inconsciente. No lhes permita falarem pejorativamente dos defeitos fsicos e da cor da pele dos outros. Essas brincadeiras no so ingnuas. 
Produzem graves conflitos que no se apagam mais, s se reeditam. Discriminao  um cncer, uma mcula que sempre manchou nossa histria. 

Desde cedo ensinei minhas filhas a perceber que por trs de cada ser humano existe um mundo a ser descoberto. Elas tm aprendido a serem vacinadas contra a discriminao. 
Eu sou de origem europia e oriental. Sabe qual  a cor das duas bonecas das minhas duas filhas mais novas, que tm nove e dez anos? Negra. Elas dormem felizes com 
suas bonecas de cor negra, apesar de sermos brancos. Eu no interferi nessa escolha. Elas aprenderam a amar a vida.

Ensine aos jovens, com palavras e sobretudo atitudes, a amar a espcie humana. Comente, que, acima de sermos americanos, rabes, judeus, brancos, negros, ricos e 
pobres, somos uma espcie  fascinante. Nos bastidores da nossa inteligncia somos mais iguais do que imaginamos. Elogie a vida. Leve os jovens a sonhar. Se eles 
deixarem de acreditar na vida, no haver futuro.


9-Gerenciar os pensamentos e as emoes.


Objetivos desta tcnica: resgatar a liderana do eu, resolver a SPA, prevenir conflitos, proteger os solos da memria, promover a segurana, desenvolver esprito 
empreendedor, proteger a emoo nos focos de tenso.

Certa vez uma estudante de engenharia me procurou queixando-se de depresso. Ela passara por sete psiquiatras e tinha tomado quase todos os tipos de antidepressivos. 
Estava desanimada. A vida no tinha cor. A esperana se dissipara. A dor da depresso, que  o ltimo estgio do sofrimento humano, roubara-lhe o sentido da vida. 
Fiquei comovido com sua falncia emocional.

Disse-lhe que ela no deveria se conformar em ser uma doente. Ela poderia virar o jogo. O resgate da liderana do seu eu seria capaz de potencializar o efeito dos 
medicamentos e resgatar seu encanto pela vida. Afirmei que ela tinha dentro de si ferramentas que estavam subutilizadas. Comentei que, apesar de importante, a medicao 
era um ator coadjuvante do tratamento. Quem  o ator principal? O gerenciamento dos pensamentos negativos e das emoes angustiantes.

Ela aprendeu que todo o lixo  que passava pelo palco da sua mente era registrado automaticamente na memria e no podia ser deletado, apenas reeditado. Compreendeu 
que  devia no apenas entender as mazelas do seu passado para fazer essa reedio, mas tambm criticar cada pensamento negativo e cada emoo perturbadora. 

Assim, a jovem frgil pouco a pouco deixou de ser vtima dos seus problemas e comeou a reescrever a sua histria e a contemplar o belo.  As flores apareceram depois 
do longo e insuportvel inverno. Ficou mais bonita. Todos que passam pelo caos da depresso, do pnico, das fobias, das perdas, e o superam ficam mais bonitos interiormente. 

A autocomiserao, o conformismo, a falta de garra para lutar so srios obstculos  superao de um transtorno emocional. O gerenciamento dos pensamentos  o ponto 
central  do tratamento psicoteraputico de qualquer corrente de pensamento.  Entretanto, precisamos tambm entender que  este gerenciamento  o ponto central da 
educao, apesar de a  cincia  pouco compreender este assunto.

Se os jovens no aprenderem a gerenciar seus pensamentos, sero um barco  sem leme, marionetes dos seus problemas. A tarefa mais importante da educao  transformar 
o ser humano em lder de si mesmo, lder dos seus pensamentos e emoes. 

As escolas em todo o mundo ensinam os alunos a dirigir empresas e mquinas, mas no os preparam para serem diretores do script dos seus pensamentos.  incontvel 
a quantidade  de pessoas que tm sucesso profissional mas so escravas de seus pensamentos. Sua vida emocional  miservel. Enfrentam o mundo, mas no sabem remover 
o entulho da sua mente.

Tenho tratado de mdicos, advogados, empresrios, que so inteligentes para lidar com problemas objetivos. No entanto, uma ofensa os derrota, uma crtica os destri, 
uma decepo com seus ntimos provoca neles grande ansiedade. So fortes no mundo externo, mas frgeis lderes nos solos da sua psique.


Libertando-se do crcere intelectual.

Os professores fascinantes devem ajudar seus alunos a se libertar do crcere intelectual. Como? Independentemente da matria  que ensinam, devem mostrar, pelo menos 
uma vez por semana, que eles podem e devem gerenciar seus pensamentos e emoes.

Seja contando histria ou falando diretamente, os professores devem comentar que, se o eu que representa a vontade consciente no for lder dos pensamentos, ele 
ser comandado. No h dois senhores. Devem comentar que o ser humano tem tendncia a ser carrasco de si mesmo. Precisam enfatizar que nossos piores inimigos esto 
dentro de ns. S ns mesmos podemos nos impedir de sermos felizes e saudveis. 

Da mesma maneira, os pais precisam ensinar suas crianas e adolescentes a criticar suas prprias idias negativas, a virar a mesa contra seus medos, a enfrentar 
as suas mgoas e timidez. Na minha opinio, gerenciar os pensamentos  uma das mais importantes descobertas da cincia atual, e com grande aplicabilidade na educao 
e na psicologia. Mas a educao, as escolas, de pedagogia e as faculdades de psicologia ainda dormitam nessa rea. Somos especialistas em formar pessoas passivas.

De que adianta aprender a equacionar problemas de matemtica se nossos jovens no aprenderem a resolver os problemas da vida, de que adianta aprender lnguas se 
no souberem falar de si mesmos?

J  tempo de produzirmos autores e no vtima da prpria histria. J  tempo de prevenirmos doenas emocionais entre os jovens, em vez de esperar para trat-las 
depois que elas afloram. Os jovens precisam de uma educao surpreendente. 


10- Participar de projetos sociais.

Objetivos desta tcnica: desenvolver a responsabilidade social, promover a cidadania, cultivar a solidariedade, expandir a capacidade de trabalhar em equipe, trabalhar 
os temas transversais: a educao para a sade, para a paz, para os direitos humanos.

Levar os jovens a se comprometer com projetos sociais  a dcima tcnica pedaggica que proponho. O compromisso social deve ser a grande meta da educao. Se ele, 
o individualismo, o egosmo e o controle de uns sobre os outros crescero.

Participar das campanhas de preveno contra a AIDS, drogas, violncia, combate  fome pode contribuir para que os jovens sejam saudveis psquica e socialmente. 
Como vimos, eles amam o veneno do consumismo e do prazer imediato. Muitos s se importam consigo mesmos. Mas, reitero, eles no so culpados. H milhes de imagens 
gravadas na sua memria consciente e inconsciente que os controlam sem que percebam.

Na realidade todos somos vtimas do sistema que criamos. Estamos cada vez mais perdendo nossa identidade, nos tornando uma conta bancria, um nmero de carto de 
crdito, um consumidor em potencial. A minha crtica tem fundamento. O sistema social infiltra-se na caixa de segredos da personalidade, escasseando a produo de 
pensamentos singelos, tranqilos, serenos.

Em pesquisa que realizei com cerca de mil educadores sobre a opinio deles relativa   qualidade de vida dos jovens, os resultados foram espantosos. Eles consideram 
que 94% dos jovens esto agressivos e 6% tranqilos; 95 % esto alienados e 4% preocupam  com sue futuro. Para onde caminha a educao?


Jovens que fazem a diferena.

Os jovens que so determinados, criativos, e empreendedores sobrevivero no sistema competitivo. Os que no tm metas nem ousadia para materializar seus projetos 
podero viver  sombra dos pais e engrossar a massa de desempregados. Jovens desqualificados intelectualmente prejudicam o futuro de uma nao. Por que a riqueza 
das naes sobe e desce? Por que as riquezas familiares no duram at a terceira gerao? Por causa do material humano.

Precisamos qualificar nossos filhos e alunos. Eles devem sentir-se importantes na escola, precisam ser treinados a ser lderes. Devem participar das decises familiares, 
como a compra do carro, o roteiro das viagens, a ida a restaurantes, e at no oramento familiar. Precisam aprender a fazer escolhas. Assim aprendero uma dura lio: 
toda escolha implica em perdas e no apenas ganhos.

A sndrome SPA deixa nossos filhos agitados. Eles detestam rotina, e por isso reclamam que "no tm nada para fazer". Eles tm muito para fazer, mas a rotina exaspera 
a ansiedade. Se os engajarmos em projetos sociais, suas vidas daro uma guinada. A emoo deles ser estruturada, o pensamento, aquietado, e de quebra aprendero 
a importncia de servir.

Como podero subir no pdio se desprezam o treinamento? Como brilharo na sociedade se no tm conexo com ela? Considerar nossos filhos e alunos apenas como receptores 
de informaes e consumidores de bens materiais  uma afronta  inteligncia deles. 

Precisamos formar jovens que faam a diferena no mundo, que proponham mudanas, que resgatem seu sentimento existencial e o sentido das coisas (Ricoeur,1960). Uma 
das causas que levam milhes de jovens a usar drogas, a ter depresso, a ser alienados e at pensar em suicdio  que eles no tm sentido de vida, nem engajamento 
social.

O tdio os consome. Por isso, numa atitude insana, eles partem para o uso de drogas, como tentativa de aliviar sua ansiedade e angstia, e no apenas para saciar 
sua curiosidade. Muitos jovens usam drogas como antidepressivos e tranqilizantes. Infelizmente, esta  atitude os levam a viver na mais dramtica priso: o crcere 
da emoo.

A educao no precisa de reforma, mas de uma revoluo. A educao do futuro precisa formar pensadores, empreendedores, sonhadores, lderes no apenas do mundo 
em que estamos, mas do mundo que somos.

Nota de rodap: As escolas podero aplicar com facilidade as dez tcnicas pedaggicas do Projeto Escola da Vida. Se houver necessidade, o Instituto Academia de Inteligncia 
oferece o treinamento. Para as escolas pblicas esse treinamento  gratuito. 
Telefone : (17) 3341-8212. e-mail: academiaint@mdbrasil.com.br .


Aplicao da tcnicas do projeto escola da vida.

No podemos nos esquecer que os professores do mundo todo esto adoecendo coletivamente. Os professores so cozinheiros do conhecimento, mas preparam o alimento 
para uma platia sem apetite. Qualquer me fica um pouco paranica quando seus filhos no se alimentam. Como exigir sade dos professores se seus alunos tm anorexia 
intelectual?  por causa da sade deles e de seus alunos que a educao tem de ser reconstruda.

As escolas que j aplicam as dez tcnicas pedaggicas do projeto escola da vida esto assistindo a algo maravilhoso. O estresse dos professores e os gritos implorando 
silncio diminuram. Os nveis de ansiedade, as conversas paralelas e os atritos entre os alunos atenuaram-se. Cresceram a concentrao, o prazer de aprender e a 
participao.

Uma diretora de uma escola pblica que lia os meus livros me pediu ansiosamente ajuda. Ela chamava com freqncia o policiamento para conter a agressividade entre 
os alunos. Comovido, treinei os professores. Eles aplicaram todas essas tcnicas durante um ano. Resultado? Alm de todos os ganhos intelectuais que j citei, no 
foi mais necessrio chamar a polcia. Os gritos cessaram, os alunos se acalmaram, o respeito surgiu.

Nessa escola pblica s h o ensino fundamental. Quando os alunos entraram em outra escola para cursar o ensino mdio, os professores ficaram impressionados com 
a tranqilidade deles. Tornaram-se poetas da vida. 

Diante de mudanas to grandes, a diretora me disse: "No acredito no que aconteceu na minha escola!" No fiz muito, os professores  que merecem todos os aplausos. 
Talvez esta seja uma das rarssimas experincia mundiais de mudanas significativas na dinmica da personalidade e no processo educacional com a aplicao de tcnicas 
psicopedaggicas. O melhor de tudo  que a aplicao dessas tcnicas no envolve dinheiro. Ela gera a escola dos nossos sonhos. Espero que milhares de escolas em 
todo o mundo entram nesse sonho.

Qual  a escola dos seus sonhos? Para mim, a escola que educa os jovens para extrarem fora da fragilidade, segurana da terra do medo, esperana da desolao, 
sorriso das lgrimas e sabedoria dos fracassos.

A escola dos meus sonhos une a seriedade de um executivo  alegria de um palhao, a fora da lgica  singeleza do amor. Na escola dos meus sonhos cada criana  
uma jia nica no teatro da existncia, mais importante que todo o dinheiro do mundo. Nela, os professores e os alunos escrevem a belssima histria, so jardineiros 
que fazem da sala de aula um canteiro de pensadores.

Qual  a famlia dos seus sonhos?  A famlia dos meus sonhos no  perfeita. No tem pais infalveis, nem filhos que no causam  frustraes.  aquela em que os 
pais e filhos tm coragem de dizer um para o outro: "Eu te amo", "Eu exagerei", Desculpem-me","Vocs so importantes para mim".

Na famlia dos meus sonhos no h heris nem gigantes, mas amigos. Amigos que sonham, amam e choram juntos. Nela, os pais do boas risadas quando perdem a pacincia
e os filhos debocham da prpria teimosia. A famlia dos meus sonhos  uma festa. Um lugar simples, onde h gente feliz.




Parte 6 - A Histria da grande torre.

Se a metade do oramento dos gastos militares no mundo fosse investido na educao, os generais se tornariam jardineiros; os policiais poetas; os psiquiatras, msicos.
A violncia, a fome, o medo, o terrorismo e os problemas emocionais estariam nas pginas dos dicionrios e no nas pginas da vida..


Quais so os profissionais mais importantes da sociedade?

Para finalizar este livro, contarei uma histria que revela a perigosa direo para onde a sociedade est caminhando, a crise da educao e a importncia dos pais 
e dos professores como construtores de um mundo melhor. Tenho contado essa histria em muitas conferncias, inclusive em congressos internacionais. Muitos educadores 
ficam to sensibilizados que vo s lgrimas.

Num tempo no muito distante do nosso, a humanidade ficou to catica que os homens fizeram um grande concurso. Eles queriam saber qual era a profisso mais importante 
da sociedade. Os organizadores do evento construram uma grande torre dentro de um enorme estdio com degraus de ouro, cravejados de pedras preciosas. A torre era 
belssima. Chamaram a imprensa mundial, a TV, os jornais, as revistas e as rdios para realizarem a cobertura.

O mundo estava plugado no evento. No estdio, pessoas de todas as classes sociais se espremiam  para ver a disputa de perto. As regras eram as seguintes: cada profisso 
era representada por um ilustre orador. O orador deveria subir rapidamente num degrau da torre e fazer um discurso eloqente e convincente sobre os  motivos pelos 
quais sua profisso era a mais importante da sociedade moderna. O orador tinha de permanecer na torre at o final da disputa. A votao era mundial e pela Internet.

Naes e grandes empresas patrocinavam a disputa. A categoria vencedora receberia prestgio social, uma grande soma em dinheiro e subsdios do governo. Estabelecidas 
as regras, a disputa comeou. O mediador do concurso bradou: "O espao est aberto!".

Sabem quem subiu primeiro na torre? Os educadores? No! O representante da minha classe, a dos psiquiatras.

Ele subiu na torre e a plenos pulmes proclamou: "As sociedades modernas se tornaro uma fbrica de estresse. A depresso e a ansiedade so as doenas do sculo. 
As pessoas perderam o encanto pela existncia. Muitas desistem de viver. A indstria dos antidepressivos e dos tranqilizantes se tornou a mais importante do mundo". 
Em seguida, o orador fez uma pausa. O pblico, pasmo, ouvia atentamente seus argumentos contundentes.

O representante dos psiquiatras concluiu: "O normal  ter conflitos, e o anormal  ser saudvel. O que seria da humanidade sem os psiquiatras? Um albergue de seres 
humanos sem qualidade de vida! Por vivermos numa sociedade doentia, declaro que somos, juntamente com os psiclogos clnicos, os profissionais mais importantes da 
sociedade!".

No estdio reinou um silncio. Muitos na platia olharam para si mesmos e perceberam que no eram alegres, estavam estressados, dormiam mal, acordavam cansados, 
tinham uma mente agitada, dores de cabea. Milhes de espectadores ficaram com a voz embargada. Os psiquiatras pareciam imbatveis.

Em seguida, o mediador bradou: "O espao est aberto!" Sabem quem subiu depois? Os professores? No! O representante dos magistrados - os juzes de direito.

Ele subiu num degrau mais alto e num gesto de ousadia desferiu palavras que abalaram os ouvintes: "Observem os ndices de violncia! Eles no param de aumentar. 
Os seqestros, assaltos e a violncia no trnsito enchem as pginas dos jornais. A agressividade nas escolas, os maus-tratos infantis, a discriminao racial e social 
fazem parte da nossa rotina. Os homens amam seus direitos  e desprezam seus deveres.".

Os ouvintes menearam a cabea, concordando com os argumentos. Em seguida, o representante  dos magistrados foi mais contundente: " O trfico de drogas movimenta 
tanto o dinheiro como o petrleo. No h como extirpar o crime organizado. Se vocs querem segurana, aprisionem-se dentro de suas casas, pois a liberdade pertence 
aos criminosos. Sem os juzes e os promotores, a sociedade se esfacela. Por isso,, declaro, com o apoio dos promotores e do aparelho policial, que representamos 
a classe mais importante da sociedade".

Todos engoliram em seco essas palavras. Elas perturbavam os ouvidos e queimavam a alma. Mas pareciam incontestveis. Outro momento de silncio, agora mais prolongado. 
Em seguida, o mediador, j suando frio, disse: "O espao est novamente aberto!"

Um outro representante mais intrpido subiu num degrau mais alto da torre. Sabem quem foi desta vez? Os educadores? No!
Foi o representante das foras armadas. Com uma voz vibrante e sem delongas, ele discursou: "Os homens desprezam o valor da vida. Eles se matam por muito pouco. 
O terrorismo elimina milhares de pessoas. A guerra comercial mata milhes de fome. A espcie humana se esfacelou em dezenas de tribos. As naes s se respeitam 
pela economia e pelas armas que possuem. Quem quiser a paz tem de se preparar para a guerra. Os poderes econmico e blico, e no o dilogo, so fatores de equilbrio 
num mundo esprio."

Suas palavras chocaram os ouvintes, mas eram inquestionveis. Em seguida ele concluiu: "Sem as foras armadas, no haveria segurana. O sono seria um pesadelo. Por 
isso, declaro, quer se aceite ou no, que os homens das foras armadas no so apenas a classe profissional mais importante, mas tambm a mais poderosa." A alma 
dos ouvintes gelou. Todos ficaram atnitos. 

Os argumentos dos trs oradores eram fortssimos. A sociedade tinha se tornado um caos. As pessoas do mundo todo, perplexas, no sabiam qual atitude tomar: se aclamavam 
um orador, ou se choravam pela crise da espcie humana, que no honrou sua capacidade de pensar. 

Ningum mais ousou subir na torre. Em quem votariam? 

Quando todos pensavam que a disputa havia se encerrado, ouviu-se uma conversa no sop da torre. De quem se tratava? Desta vez eram os professores. Havia um grupo 
deles da pr-escola, do ensino fundamental, do mdio e do universitrio. Eles estavam encostados na torre dialogando com um grupo de pais. Ningum sabia o que estava 
fazendo. A TV os focalizou e projetou num telo. O mediador gritou para um deles subir na torre. Eles se recusaram.

O mediador os provocou: "Sempre h covardes numa disputa." Houve risos no estdio. Fizeram chacota dos professores e dos pais. 

Quando todos pensavam que eles eram frgeis, os professores com o incentivo dos pais, comearam a debater as idias, permanecendo no mesmo lugar. Todos se faziam 
representar. 

Um dos professores, olhando para o alto, disse para o representante dos psiquiatras: "Ns no queremos ser mais importante do que vocs. Apenas queremos ter condies 
para educar a emoo dos nossos alunos, formar jovens livres e felizes, para que eles no adoeam e sejam tratados por vocs." O representante dos psiquiatras recebeu 
um golpe na alma. 

Em seguida, um outro professor que estava no lado direito da torre olhou para o representante dos magistrados e disse: "Jamais tivemos a pretenso de ser mais importantes 
do que os juzes. Desejamos apenas ter condies para lapidar a inteligncia dos nossos jovens, fazendo-os amar a arte de pensar e aprender a grandeza e dos deveres 
humanos. Assim, esperamos que jamais se sentem num banco dos rus." O representante dos magistrados tremeu na torre. 

Uma professora do lado esquerdo da torre, aparentemente tmida, encarou o representante das foras armadas e falou poeticamente: "Os professores do mundo todo nunca 
desejaram ser mais poderosos nem mais importantes do que os membros das foras armadas. Desejamos apenas ser  importantes no corao das nossas crianas. Almejamos 
lev-las a compreender que cada ser humano no  mais um nmero na multido, mas um ser insubstituvel, um ator nico no teatro da existncia."

A professora fez uma pausa e completou: "Assim, eles se apaixonaro pela vida, e, quando estiverem no controle da sociedade, jamais faro guerras, sejam guerras 
fsicas que retiram o sangue, sejam as comerciais que retiram o po. Pois cremos que os fracos usam a fora, mas os fortes usam o dilogo para resolver seus conflitos. 
Cremos ainda que a vida  uma obra-prima de Deus, um espetculo que jamais deve ser interrompido pela violncia humana."

Os pais deliraram de alegria com essas palavras. Mas o representante do judicirio quase caiu da torre. 

No se ouvia um zumbido na platia. O mundo ficou perplexo. As pessoas no imaginavam que os simples professores que viviam no pequeno mundo das salas de aula fossem 
to sbios. O discurso dos professores abalou os lderes do evento. 

Vendo ameaado o xito da disputa, o mediador do evento disse arrogantemente: "Sonhadores! Vocs vivem fora da realidade!" Um professor destemido bradou com sensibilidade: 
"Se deixarmos de sonhar, morreremos!"

Sentindo-se questionado, o organizador do evento pegou o microfone e foi mais longe na inteno de ferir os professores: "Quem se importa com os professores na atualidade? 
Comparem-se com outras profisses. Vocs no participam das mais importantes reunies polticas. A imprensa raramente os noticia. A sociedade pouco se importa com 
a escola. Olhem para o salrio que vocs recebem no final do ms,!" Uma professora fitou-o e disse-lhe com segurana: "No trabalhamos apenas pelo salrio, mas pelo 
amor dos seus filhos e de todos os jovens do mundo."

Irado, o lder do evento gritou: "Sua profisso ser extinta nas sociedades modernas. Os computadores os esto substituindo! Vocs so indignos de estar nesta disputa."

A platia, manipulada, mudou de lado. Condenaram os professores. Exaltaram a educao virtual. Gritaram em coro: "Computadores! Computadores! Fim dos professores!" 
O estdio entrou em delrio repetindo esta frase. Sepultaram os mestres. Os professores nunca haviam sido to humilhados. Golpeados  por essas palavras, resolveram 
abandonar a torre. Sabem o que aconteceu?

A torre desabou. Ningum imaginava, mas eram os professores e os pais que estavam segurando a torre. A cena foi chocante. Os oradores foram hospitalizados. Os professores 
tomaram ento outra atitude inimaginvel: abandonaram, pela primeira vez, as salas de aula.

Tentaram substitu-los por computadores, dando uma mquina para cada aluno. Usaram as melhores tcnicas de multimdia. Sabem o que ocorreu?

A sociedade desabou. As injustias e as misrias da alma aumentaram mais ainda. A dor e as lgrimas se expandiram. O crcere da depresso, do medo e a ansiedade 
atingiu grande parte da populao. A violncia e os crimes se multiplicaram. A convivncia humana, que j estava difcil, ficou intolervel. A espcie humana gemeu 
de dor. Corria risco de no sobreviver...

Estarrecidos, todos entenderam que os computadores no conseguiam ensinar a sabedoria, a solidariedade e o amor pela vida. O pblico nunca pensara que os professores 
fossem os alicerces das profisses e o sustentculo do que  mais lcido e inteligente entre ns. Descobriu-se que o pouco de luz que entrava na sociedade vinha 
do corao dos professores e dos pais que arduamente educavam seus filhos. 

Todos entenderam que a sociedade vivia uma longa e nebulosa noite. A cincia, a poltica e o dinheiro no conseguiam super-la. Perceberam que a esperana de um 
belo amanhecer repousa sobre cada pai, cada me e cada professor, e no sobre os psiquiatras, o judicirio, os militares, a imprensa...

No importa se os pais moram num palcio ou numa favela, e se os professores do aulas numa escola suntuosa ou pobre - eles so a esperana do mundo. 

Diante disso, os polticos, os representantes das classes profissionais e os empresrios fizeram uma reunio com os professores em cada cidade de cada nao. Reconheceram 
que tinham cometido um crime contra a educao. Pediram desculpas e rogaram para que eles no abandonassem seus filhos. 

Em seguida, fizeram uma grande promessa. Afirmaram que a metade do oramento que gastavam com armas, com o aparato policial e com a indstria dos tranqilizantes 
e dos antidepressivos seria investida na educao. Prometeram resgatar a dignidade dos professores., e dar condies para que cada criana da Terra fosse nutrida 
com alimentos no seu corpo e com o conhecimento na sua alma. Nenhuma delas ficaria mais sem escola.

Os professores choraram. Ficaram comovidos com tal promessa. H sculos eles esperavam que a sociedade acordasse para o drama da educao. Infelizmente, a sociedade 
s acordou quando as misrias sociais atingiram patamares insuportveis.

Mas,como sempre trabalharam como heris annimos e sempre  foram apaixonados por cada criana, cada adolescente  e cada jovem, os professores resolveram  voltar 
para a sala de aula e ensinar cada aluno a navegar nas guas da emoo.

Pela primeira vez, a sociedade colocou a educao no centro das suas atenes. A luz comeou a brilhar depois da longa tempestade... No final de dez anos os resultados 
apareceram, e depois de vinte anos todos ficaram boquiabertos. 

Os jovens no desistiam mais da vida. No havia mais suicdios. O uso da droga dissipou-se. Quase no se ouvia falar mais de transtornos psquicos e de violncia. 
E a discriminao? O que  isso? Ningum e lembrava mais do seu significado. Os brancos abraavam afetivamente os negros. As crianas judias dormiam na casa das 
crianas palestinas. O medo se dissolveu, o terrorismo desapareceu, o amor triunfou.

Os presdios se tornaram museus. Os policiais se tornaram poetas. Os consultrios de psiquiatria se esvaziaram. Os psiquiatras se tornaram escritores. Os juzes 
se tornaram msicos. Os promotores se tornaram filsofos. E os generais? Descobriram o perfume das flores, aprenderam a sujar suas mos para cultiv-las.

E os jornais e as TVs do mundo? O que noticiavam, o que vendiam? Deixaram de vender mazelas e lgrimas humanas. Vendiam sonhos, anunciavam esperana...

Quando esta histria se tornar realidade? Se todos sonharmos este sonho, um dia ele deixar de ser apenas um sonho.



Consideraes finais.

Enquanto escrevia o final deste livro, tive o desejo de reunir alguns dos professores do passado, fazer um jantar para eles e agradecer-lhes. Tambm fiquei motivado 
a reunir meus pais fora de datas comemorativas e dizer-lhes o quanto eles foram importantes para mim. Se voc tiver um desejo semelhante, faa o mesmo. Se no valorizamos 
as nossas razes, no temos como suportar as intempries da vida. 

O potico sonho do resgate do valor da educao, esculpido pela histria da grande torre, ainda  uma miragem no deserto social. Enquanto a sociedade ainda no acorda, 
gostaria de terminar este livro prestando uma homenagem aos pais e aos professores. Esta homenagem s no  mais eloqente devido s minhas limitaes.

Nota de rodap: A editora e o autor permitem o uso do texto da " grande torre" para encenao  teatral nas escolas, com o objetivo de homenagear os pais e os mestres, 
desde que citada a fonte.


Homenagem aos professores:

Em nome de todos os alunos do mundo, queremos agradecer todo o amor  com que trataram at hoje a educao. Muitos de vocs gastaram os melhores anos de sua vida, 
alguns at adoeceram, nesta rdua tarefa.

O sistema social no os valoriza na proporo da sua grandeza, mas tenham a certeza de que, sem vocs, a sociedade no tem horizonte, nossas noites no tm estrelas, 
nossa alma no tem sade, nossa emoo no tem alegria. 

Agradecemos seu amor, sabedoria, lgrimas, criatividade, perspiccia, dentro e fora da sala de aula. O mundo pode no os aplaudir, mas o conhecimento mais lcido 
da cincia tem de reconhecer que vocs so os profissionais mais importantes da sociedade. 

Professores, muito obrigado. Vocs so mestres da vida.


Homenagem aos pais.

Em nome de todos os filhos do mundo, agradeo a todos os pais por tudo o que fizeram por ns. Obrigado pelos seus conselhos, carinho, broncas, beijos. O amor os 
levou a correr todos os riscos do mundo por nossa causa. Vocs no deram tudo o que queriam para cada filho, mas deram tudo o que tinham.

Vocs deixaram seus sonhos para que pudssemos sonhar. Deixaram seu lazer para que tivssemos alegria. Perderam noites de sono para que dormssemos tranqilos. Derramaram 
lgrimas  para que fssemos felizes. Perdoem-nos pelas falhas e principalmente por no reconhecermos seu imenso valor. Ensinem-nos a ser seus amigos...

Nossa dvida  impagvel. Ns lhes devemos o amor...

Queridos pais e professores, o tempo pode passar e nos distanciar, mas jamais se esqueam de que ningum morre quando se vive no corao de algum. Levaremos por 
toda a nossa histria um pedao do seu ser dentro do nosso prprio ser.

Fim.
